Tendência secular e fatores associados com sobrepeso em pré-escolares brasileiros

A obesidade infantil é uma condição que está relacionada com diversas comorbidades, sejam elas metabólicas, respiratórias e ortopédicas, que se manifestam já na infância, podendo também se consolidar na idade adulta. Este reflexo da infância nas idades posteriores ressalta a importância da existência de políticas de prevenção e controle do excesso de peso em crianças, abrangendo todos os aspectos da doença. Para isso, são necessárias pesquisas com amostras significativas que possam identificar as tendências nutricionais do problema e assim modifica-las.

Um estudo realizado pelo Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) avaliou a tendência secular e os fatores associados ao excesso de peso em pré-escolares brasileiros, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (PNSN) de 1989 e da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS) de 1996 e de 2006/07.

A prevalência de sobrepeso encontrada nesta faixa etária em 1989, 1996 e 2006/07, foi, respectivamente, de 3%, 3,4% e 7,8%, representando um aumento de 129% neste período, sendo as regiões Sudeste e Nordeste aquelas que apresentaram o maior aumento na prevalência de sobrepeso infantil. Este dado fica ainda mais preocupante entre os pré-escolares da região Nordeste, onde o crescimento do excesso de peso foi de 20,6% ao ano.

Ao analisar os fatores associados ao excesso de peso, o estudo identificou como condição de risco aumentado crianças residentes das regiões Sul e Sudeste e pertencentes à classe econômica C. A frequência de excesso de peso em pré-escolares com mães com excesso de peso foi 78% maior quando comparadas a mães saudáveis. Além disso, o excesso de peso ao nascer também representou risco para o desenvolvimento do sobrepeso na idade pré-escolar.

Outro fator que, em razão de prevalência, se mostrou relacionado positivamente com o excesso de peso na população estudada, foi o consumo de refrigerantes, sucos artificiais ou frituras em pelo menos 4 dias da semana. Vale ressaltar que ser filho único ou ter apenas um irmão, também mostrou associação com o excesso de peso.

A mudança no perfil nutricional e de saúde de pré-escolares demonstrada no decorrer dos anos é preocupante. Ela é capaz de mostrar o poder que o setor privado é capaz de exercer nas diversas populações, incluindo pré-escolas, que possuem pouco discernimento e têm ao seu alcance péssimas opções de escolhas alimentares disponíveis. O estado nutricional materno mostra-se fortemente relacionado ao estado nutricional da criança, confirmando como os pais exercem influência sobre seus filhos. É necessário que medidas preventivas à obesidade sejam aplicadas à população através do controle da publicidade de alimentos, que cada vez mais investe em alimentos ausentes de valor nutricional e recheados de calorias vazias, que apenas contribuem para o declínio da saúde populacional. Ainda, é necessário que os pais sejam educados quanto à alimentação e as consequências que ela possui sobre seus filhos. Desta forma, eles serão capazes de disponibilizar um ambiente e opções adequadas capazes de manter suas crianças saudáveis. 

Bruna Cesar Diniz e Jonas Silveira

 obesidade infantil

Leia em: 

SILVEIRA, JONAS AUGUSTO C.; COLUGNATI, FERNANDO ANTÔNIO B.; COCETTI, MONIZE; TADDEI, JOSÉ AUGUSTO A.C. Secular trends and factors associated with overweight among Brazilian preschool children: PNSN-1989, PNDS-1996, and 2006/07. Jornal de Pediatria (Impresso), v. 13, p. 210-216, 2013.

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0021755713002106