Saúde da mulher: uma conquista necessária

Saúde da Mulher

http://www.huffpostbrasil.com/entry/signs-you-need-a-vacation-in-gifs_n_3644691

Hoje, 8 de março, é considerado o Dia Internacional da Mulher e marca a luta pela liberdade, pelo fim do sexismo e da misoginia. Essa luta diária da qual as mulheres são protagonistas também inclui a conquista dos direitos igualitários e o acesso e cuidado à saúde.

Sabe-se que a mulher vem cada vez ganhando mais espaço no mercado de trabalho, o que não exclui nem ameniza seu papel de mãe e dona de casa. Esta é a realidade na maioria dos lares brasileiros, e com isso as mulheres se sentem cansadas e esgotadas e podem negligenciar seus próprios cuidados com a saúde.

Porém, gradativamente, esses papéis estão sofrendo mudanças. A mulher conquistou uma importância reconhecida no sustento da família, e assim a presença masculina já se faz mais ativa na divisão das tarefas familiares. Essas mudanças não são importantes somente na redefinição rumo à igualdade dos papéis, mas também para repercutir na saúde das mulheres.

Um texto de Drauzio Varella sobre o sedentarismo feminino avaliou os últimos dados reunidos pela Vigitel (Vigilância dos Fatores de Risco e Proteção para Doenças) em 2015 e expõe que mais de 40% dos homens se exercitam durante seu tempo livre em comparação com 30% das mulheres. Estes dados foram coletados para relacionar a falta de exercícios (sedentarismo) e maus hábitos alimentares com o número de pessoas acima do peso, um problema que pode acarretar em inúmeras doenças e aumentar o risco de mortalidade.

Por sofrerem pressões da mídia, que impõe padrões de beleza, as mulheres tendem a cuidar melhor de si, apresentam melhores índices de boa alimentação e maior procura a médicos em comparação aos homens. De onde viria então o desinteresse pela prática de exercícios físicos, em comparação com os homens? Abordaremos aqui alguns aspectos que podem justificar esses números.

Desde a infância, enfrentamos a clara divisão dos papéis “homem” e “mulher”. As crianças passam por uma construção social de seus interesses e desejos, no qual o seu gênero é determinante para o que deverá fazer e em que deverá se interessar. Neste processo, mesmo as meninas fisicamente mais ativas são desestimuladas a praticarem algumas atividades tidas como específicas do universo masculino, como correr, lutar, jogar bola, subir em árvores, o que por sua vez faz nascer o desinteresse precoce pelas atividades físicas.

Outra pesquisa, denominada “Trabalho remunerado e trabalho doméstico”, realizada pela organização recifense SOS Corpo e pelos institutos Data Popular e Patrícia Galvão, revelou que 75% das 800 mulheres entrevistadas enfrentam uma rotina exaustiva, enquanto 18% não sofriam desse problema e 7% não sabiam dizer. Das participantes, 98% relataram que além de trabalhar, ainda precisavam cuidar da casa. Dessas, 71% não recebiam ajuda masculina. A falta de tempo foi motivo de reclamação para 68% das entrevistadas, enquanto 58% declararam não ter tempo para cuidar de si. De cada 10 entrevistas, 6 dormiam menos de 8 horas por dia.

Sendo assim, fica evidente que a mulher vive uma rotina bastante cansativa e acaba por substituir o tempo que teria para si, em que poderia, por exemplo, praticar uma atividade física, para cuidar dos afazeres domésticos e de sua família. O atual papel da mulher é extremamente estressante e resulta na falta de sono e exaustão cotidiana, que afeta diretamente sua saúde.

O cenário, contudo, pode e deve ser mudado. Segundo Drauzio Varella, “cada vez mais as mulheres cobram a presença masculina na divisão de tarefas. Se antes os homens eram responsáveis pelo sustento da família, hoje essa incumbência também cabe à mulher. Nada mais justo, portanto, que eles passem a dividir os cuidados com a casa e com os filhos, permitindo que elas tenham mais tempo para cuidar de si.” Sendo assim, os papéis referentes aos gêneros, principalmente dentro do contexto familiar, precisam urgentemente ser revistos para não mais permitir que a mulher negligencie sua saúde física e mental em nome da ordem patriarcal.

Por Fabrícia Ramos de Freitas

Para saber mais, acesse:

https://drauziovarella.com.br/para-as-mulheres/sedentarismo-feminino-escrevendo/