Crianças que comem frutas é uma questão de sorte ou hábito?

O jornalista e também pai Adrián Cordellat publicou em seu blog pessoal sobre o fato de muitas vezes se sentir cansado de as pessoas atribuíram à sorte o gosto que seus filhos têm pelas frutas. O texto despertou muitas críticas e reflexões, o que o motivou a aprofundar a discussão em uma matéria no Jornal El País.  

Sua abordagem sobre o tema começa com o discurso de uma especialista em sociologia da alimentação: “tudo o que tem a ver com a criação desperta suscetibilidades, e a alimentação, além disso, é diferente de outros temas e gera mais polêmica. Quase ninguém gosta de admitir que não está agindo bem, e menos ainda quando se trata dos pequenos da casa. Logo nos colocamos na defensiva”, diz a socióloga Yolanda Fleta.

Os pais são os primeiros educadores nutricionais dos filhos e têm o papel de lhes apresentar a variedade de alimentos saudáveis que existem. Sendo assim, há uma responsabilidade e também liberdade dos pais oferecerem e disponibilizarem os alimentos para o consumo infantil e também de consumi-los eles mesmos, como um modelo a ser seguido. De acordo com a nutricionista Natalia Moragues, “quanto maior a exposição a um alimento, maior a probabilidade de que eles experimentem”. “E o tipo de alimento que está à disposição influencia muito”, acrescenta Fleta.

É bastante comum quando enfrentam os primeiros problemas de aceitação às frutas por parte dos filhos ou quando comem menos do que o esperado, ao invés de continuar tentando, os pais recorrem ao caminho mais fácil na esperança de que pelo menos comam algo. Desta forma, se a criança se mostra pouco interessada pelos alimentos saudáveis e os pais lhe oferecem outras opções mais palatáveis isto pode aumentar sua rejeição e fazer com que frutas, legumes e verduras pareçam ainda mais insípidas. Outro problema pode ser associado às crianças que consomem diariamente biscoitos e alimentos com alto teor de açúcar e gordura é que seu paladar passa a se modificar e se acostumar com esses sabores mais marcantes e assim pode gerar rejeição por outros gostos que não sejam tão doces.

Criança e o consumo de frutas

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Mas enfim, o fato de que as crianças comem frutas é uma questão de sorte ou hábito? É importante se considerar que há questões multifatoriais envolvidas. No entanto, haverá maior probabilidade de que os filhos comam frutas e verduras se os pais lhes oferecerem diariamente, se deixarem disponíveis e ao alcance deles e se virem os adultos comendo. Há também grande influência das condutas paternas como, por exemplo, quando castigam ou obrigam as crianças a comer o que não gostam ou os recompensam com guloseimas, o que pode gerar efeito contrário do desejado e aumentar a preferências por esses alimentos.

“A sorte tem a ver com o acaso, e o hábito é algo que surge da repetição frequente de um comportamento, sustentado no tempo, através do qual um benefício é obtido. Não temos o poder, portanto, para modificar a sorte. Por outro lado, os hábitos dependem de nós mesmos”, reflete a socióloga Yolanda Fleta. “Há crianças que de maneira inata se sentirão atraídas pela fruta e outras nem tanto. Nos dois casos, no entanto, a exposição à fruta e o exemplo no seu consumo, levarão a um aumento na ingestão”.

Autoria: Fabrícia Ramos de Freitas