Desmame - tem hora certa para acontecer?

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No mês da campanha Agosto Dourado, que promove ações de incentivo ao aleitamento materno e sensibiliza a sociedade sobre a importância do ato para a saúde do bebê, é relevante abordar outra questão que envolve essa temática: o desmame.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera 21 meses como o tempo mínimo adequado de amamentação. Entretanto, isso dificilmente ocorre no Brasil, em que o tempo médio é de 14 meses. O recomendado é que toda criança se alimente apenas com leite materno até os 6 meses e receba outros alimentos em conjunto com a amamentação até pelo menos 2 anos de idade.

O leite materno tem inúmeros benefícios: oferece os nutrientes necessários para o crescimento do bebê, protege sua saúde, pois fornece anticorpos, além de evitar a obesidade. Além da nutrição, a amamentação envolve intimamente duas pessoas e tem repercussões na saúde física e no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, e repercussões na saúde física e psíquica da mãe. É um processo amplo e complexo.

Muitas mães interrompem a amamentação devido ao retorno ao trabalho, por motivos pessoais ou mesmo por falta de informação ou orientação médica em relação a um período que seria indicado para desmamar. Entretanto, se a mãe tiver condições de amamentar e o bebê de mamar, não há porque interromper.

O processo de desmame tende a ocorrer naturalmente entre a dupla bebê-mãe. A criança vai desmamar quando estiver psicologicamente pronta, segura e preparada para enfrentar o mundo que a espera, pois enquanto mama ela consegue interiorizar o que mais tarde vai fazer dela uma criança segura e preparada, graças ao vínculo tão intenso que se cria com a amamentação.

Com o progresso da relação e do desenvolvimento da criança, chega um momento que tanto a mulher quanto o bebê perdem o interesse nessa atividade. O bebê alcança um estágio de prontidão para novas experiências.

O assunto pode gerar preocupações ou angústias nas mães, por isso é importante observar a relação que se estabeleceu com o bebê, estar sensível aos sinais que ele vai demonstrando do quanto precisa ou não tem mais interesse no peito. Por meio dessa comunicação, íntima e afetiva, os processos que fazem parte do desenvolvimento do bebê vão ocorrer naturalmente, no tempo necessário, tanto para a mãe quanto para a criança.

Leia mais sobre autodesmame nessa reportagem: https://oglobo.globo.com/sociedade/movimentos-de-maes-defendem-autodesmame-21653257#ixzz4p5wKjMkx 


Autoria: Paola de Souza Rezende