Aleitamento materno - muito além da nutrição

Semana Mundial do Aleitamento Materno

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Entre os dias 1 e 7 de agosto celebra-se por todo o mundo a 25° Semana Mundial do Aleitamento Materno, uma iniciativa global liderada pela Aliança Mundial para a Ação do Aleitamento Materno (WABA, em inglês) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a UNICEF.

Neste ano o tema da campanha é “Trabalhar juntos para o bem comum”. Além de ser um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que o Brasil está comprometido em cumprir até 2025, a questão de trabalhar pelo bem comum em se tratando da prática da amamentação é de extrema importância se considerarmos a constante ação da indústria de leite, mamadeira e bicos com altíssimo investimento financeiro para fazer com que as pessoas (principalmente mães e profissionais) acreditem que seus produtos são melhores que o leite materno.

O trabalho para o bem comum é então ter conhecimento e consciência das estratégias comerciais e, juntamente com todos os setores da sociedade, promover, proteger e apoiar a mãe que deseja amamentar ou que já amamenta, especialmente pela superioridade do leite materno, seus efeitos a curto e longo prazo na saúde da criança.

São inúmeros os benefícios do leite materno quando se trata de vitaminas, proteínas e gordura que todo bebê precisa para se desenvolver e crescer de maneira saudável. Mas vale ressaltar que a importância da prática vai além dos aspectos ligados à nutrição e tem sua importância também para o desenvolvimento emocional da criança. A constituição da subjetividade se baseia na relação inicial da díade mãe-bebê e a amamentação contribui para esse processo. 

Donald Winnicott, um pediatra e psicanalista inglês, é enfático ao definir que a amamentação é um ato de colocar em prática a relação de amor entre dois seres humanos. Para o autor, esta é uma experiência que se aprimora a partir da primeira mamada, em que o bebê vai aprendendo pelo acúmulo de experiências que darão a ele uma memória desses momentos. É também quando começam a se estabelecer os primeiros relacionamentos do bebê com a realidade externa, um aprendizado de troca e mutualidade. 

O ato de amamentar pode ser considerado simples e ao mesmo tempo complexo. Há algumas orientações genéricas que podem facilitar a experiência, porém não se pode perder de vista a singularidade de cada caso, os costumes e crenças familiares, e as fantasias que interferem na maneira como a prática acontece. 

Winicott (1982) afirma que a mãe e o seu bebê inicialmente terão que conhecer um ao outro antes de aceitarem os grandes riscos emocionais envolvidos na amamentação. Quando alcançarem uma compreensão mútua, que pode logo acontecer ou somente após alguma luta, serão então capazes de confiar e de se entenderem, e a alimentação passa a fluir e a cuidar de si própria.

Sendo assim, se o vínculo mãe-bebê teve início e está desenvolvendo de maneira natural, os dois juntos saberão melhor do que ninguém o que está certo, o bebê tomará a porção adequada de leite no seu ritmo e saberá quando deve parar.  “Todo o processo físico funciona precisamente porque a relação emocional se está desenvolvendo naturalmente”. (WINNICOTT, 1982, P.33)          

Sabemos que a decisão de amamentar é pessoal e deve ser respeitada, porém o papel dos profissionais de saúde é orientar e acolher o bebê e sua mãe, com todas as dificuldades e variações que surgem durante esta experiência. A amamentação é um elemento essencial na composição do ambiente favorável ao desenvolvimento saudável de uma criança e deve sempre ser incentivada.

Autoria: Fabrícia Ramos de Freitas

Referência:

WINNICOTT, D.W. A criança e o seu mundo. 6.ed. Rio de Janeiro: LTC, 1982.