Documentário debate a educação dos jovens no ensino médio do país

Nunca me sonharam

“Como meus pais não foram bem sucedidos na vida, eles também não me influenciavam, não me davam força para estudar. Achavam que quem entrava na universidade era filho de rico. Acho que eles não acreditavam que o pobre também pudesse ter conhecimento, que pudesse ser inteligente. Para eles, o máximo era terminar o ensino médio e arrumar um emprego: trabalhador de roça, vendedor, alguma coisa desse tipo. Acho que nunca me sonharam sendo um psicólogo, nunca me sonharam sendo professor, nunca me sonharam sendo um médico, não me sonharam. Eles não sonhavam e nunca me ensinaram a sonhar. Tô aprendendo a sonhar.”

O depoimento do estudante Felipe Lima é tão impactante que dá nome ao novo documentário, da produtora Maria Farinha Filmes. “Nunca me sonharam” aborda históricos problemas da educação brasileira e da voz aos jovens de diversas regiões debaterem sobre os lugares que ocupam.

Além de mostrar os pensamentos de alunos do ensino médio, o documentário traz ainda depoimentos de educadores e especialistas sobre as questões sociais e educacionais do nosso país. Em um dos diálogos revela-se que “38% dos jovens não estão no Ensino Médio, não estão no trabalho. A pergunta é: onde eles estão?”

O filme mostra dificuldades no presente e desafios para o futuro de todos aqueles que enfrentam as situações do ensino médio nas escolas públicas brasileiras. “Quem chega no final do Ensino Médio é mega power sobrevivente. Perde para o tráfico, a gente perde para a gravidez”, diz uma aluna referindo-se a realidade que muitos dos jovens vivem.

Em sua trajetória pelo país, o diretor Cacau Rhoden se deparou com uma juventude antenada e preocupada com o futuro, buscando diálogo e aproximação com as instituições educacionais. O filme surge então para refletirmos sobre o valor da educação, do quanto é importante que os jovens sonhem e que somente assim será possível construírem um Brasil menos desigual.

Em tempos tão difíceis, “Nunca Me Sonharam” nos enche de esperança quanto ao futuro e evidencia que em nosso país vivem e lutam juventudes que querem mais compaixão e gentileza.

Nas cidades onde o documentário não estiver em cartaz nos cinemas, poderá ser exibido gratuitamente na plataforma Videocamp. Acesse aqui para saber como e onde assistir.

Autoria: Fabrícia Ramos de Freitas

Leia aqui mais informações sobre o filme.