Choro – uma expressão do bebê com diversas razões e sentidos

Choro do bebê

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Quem já não se afligiu diante de um bebê chorando?

Culturalmente, temos a tendência de interpretar o choro de um bebê sempre como uma manifestação de sofrimento e, com isso não reconhecemos a importância e os benefícios desta expressão. O choro é sinal de saúde e vigor, sendo um dos primeiros sinais esperados ao nascimento, mas todo extremo deve ser observado, como por exemplo, raramente chorar ou se este for demasiado.

Outro aspecto importante a ser observado diz respeito ao choro como manifestação dos sentimentos e sensações dos bebês, que inicialmente são muito intensos e diretos. Progressivamente, com o desenvolvimento físico e emocional, a expressão do choro irá sendo substituída por outras manifestações, pois os recursos irão se ampliando e a criança terá um maior repertório para lidar com tais emoções e sentimentos.

Mas afinal, porque um bebê chora?

Em primeiro lugar, para se comunicar e avisar de que algo não vai bem, e que ele necessita de alguma coisa. Nos primeiros meses de vida, suas necessidades estão relacionadas basicamente à três fatores: alimentação, cuidados com a higiene, carinho e proteção. Para as mães, uma grande parte de seu desafio será conseguir discriminar as necessidades do seu filho para depois atendê-las.

A partir de suas observações, o psicanalista Donald W. Winnicott, descreveu quatro principais tipos de choro do bebê: satisfação, dor, raiva e pesar. Ao chorar o bebê tem a sensação de exercitar seus pulmões, o que lhe gera satisfação e quase prazer, como do exercício de qualquer outra função física. O choro tranquiliza em um momento de dificuldade, como por exemplo, quando o bebê sente-se inseguro ou ansioso, o que expressará por meio dos ruídos e lágrimas.

O choro de dor emitido pelo bebê é facilmente reconhecido pelas pessoas, pois se manifesta por um som forte e às vezes é acompanhado de expressões corporais que indicam o ponto do desconforto, como ao esticar as pernas ao sentir cólica. O grito de dor transmite sofrimento e desperta nas pessoas um impulso de ajudar. Em geral, a fome é sentida como dor pelo bebê devido à aflição que o desconforto suscita nele.

A terceira causa do choro é a raiva, uma reação, muitas vezes, resultante da frustração do bebê diante do ambiente, como por exemplo, ao ter que esperar determinada ação da mãe e ela demorar ou não atender a sua expectativa. Esse sentimento dá indícios do desenvolvimento saudável do bebê, mostrando que ele já percebe o meio a sua volta e crê na satisfação das suas necessidades.

A quarta causa do choro é a tristeza, mecanismo avançado no desenvolvimento dos sentimentos na infância, demonstra que a criança já consegue interagir com o ambiente, sente as situações se colocando no mundo, ativamente.

Conseguir discriminar ou “traduzir” os choros é uma tarefa difícil, mas importante para dar ao bebê o que ele precisa, considerando que um cuidado prático como trocar fralda ou alimentá-lo, também preenche fortes necessidades emocionais. Nestas situações o bebê aprende pela repetição que ao chorar para manifestar seu desconforto ele será amparado, socorrido. O bebê vai percebendo que tem alguém capaz de entendê-lo e atendê-lo. É confortante! A sintonia e entendimento entre o bebê e sua mãe são possíveis a partir de um exercício diário de convívio amoroso que permite à cuidadora atender a essas necessidades.

Por Paola de Souza Rezende e Denise Ely Bellotto de Moraes

Leia mais em:

WINNICOTT, D.W. A criança e o seu mundo. 6.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

 

MILLER, L. Compreendendo o seu bebê. Rio de Janeiro: Imago Ed, 1992.