A importância do início da vida para a saúde mental do indivíduo

inicio da vida

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  “Os primeiros mil dias” é uma expressão cada vez mais utilizada e reconhecida no meio pediátrico e contempla a soma dos nove meses da gestação (270 dias) e os dois primeiros anos de vida (730), reforçando a teoria de que o cuidado da criança tem início já com a mãe durante a gravidez.

   Este período é marcado por importantes acontecimentos relacionados à nutrição, ao desenvolvimento neuropsicomotor do bebê e seus estímulos, os cuidados com a saúde, vacinação e higiene, entre outros.

   O primeiro a destacar a importância desses mil dias foi o médico inglês David Barker, que notou que as crianças nascidas durante a 1ª Guerra Mundial, que tiveram uma gestação ameaçada pelos tormentos desta época, nasciam com baixo peso e, ao longo da vida, desenvolviam doenças que podiam ser relacionadas às condições vivenciadas nesse início de vida.

   É consenso a ideia de que durante os primeiros anos, a criança atravessa por processos importantes de desenvolvimento e que são diretamente influenciados pelo ambiente a que pertence. Entre esses processos estão o crescimento físico, o amadurecimento do cérebro e de sua psique, a aquisição dos movimentos, o desenvolvimento da capacidade de aprendizado e a iniciação social e afetiva.

   Muitos especialistas na área da Saúde Mental têm somado esforços para concluir o que teria maior influência na determinação das doenças, se seriam os genes ou o ambiente. E no último Congresso Mundial de Psiquiatria, que aconteceu no final do ano passado, não foi diferente. As pesquisas apresentadas mostraram possíveis alterações em genes que determinariam a vulnerabilidade para se desenvolver esquizofrenia, transtorno do humor bipolar, autismo, depressão e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

   Segundo o professor e psiquiatra Luis Augusto Rohde, a plasticidade neuronal humana é muito significativa, principalmente nos primeiros anos de vida, o que possibilita que nossos genes sejam modificados e influenciados pelos fatores externos. “A cada segundo, estima-se que entre 700 e 1000 conexões novas entre neurônios sejam formadas nesse período. Contudo, outro fato importante que as análises têm apresentado é que, na verdade, o funcionamento dos genes é ativado ou desativado pelas experiências ambientais da primeira infância. A possibilidade de reversão das influências ambientais vai se reduzindo gradativamente à medida em que os mil dias vão passando”, revelou o professor.

   Portanto, estas são algumas recentes confirmações da importância de se proteger e fortalecer o ambiente que recebe uma criança e principalmente a relação mãe-bebê. Se as condições ambientais forem favoráveis ao desenvolvimento durante os primeiros anos, maiores serão as chances de a criança alcançar o melhor de seu potencial, tornando-se um adulto mais saudável, estável e realizado.

Por Fabrícia Ramos de Freitas

 

Para ler mais sobre os resultados destas recentes pesquisas, acesse: http://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/doencas-mentais-a-importancia-dos-primeiros-mil-dias-de-vida/