O consumo de álcool na adolescência: quais são os riscos?

Álcool na Adolescência

http://imirante.com/brasil/noticias/2015/02/13/um-em-cada-cinco-adolescentes-compra-alcool-por-conta-propria.shtml

A Adolescência, que acontece dos 12 aos 18 anos de acordo com o Estatuto da criança e do Adolescente (ECA), é uma fase marcada por inúmeras mudanças, questionamentos, alterações hormonais e inquietações emocionais, justamente pelo fato de que neste período a personalidade do indivíduo está sendo definida e os lutos da infância vivenciados. Os adolescentes enfrentam decisões sociais e psicológicas para toda a vida, e muitas vezes apresentam comportamentos extemos, imediatistas, opositores e podem até, em alguns momentos, negligenciar os cuidados com sua saúde.

O consumo de bebidas alcoólicas é um problema de saúde pública cada vez mais agravante, particularmente no que se refere aos adolescentes, que é quando, na maioria das vezes, se inicia a ingestão do álcool.

Algumas pesquisas revelam que entre todas as substâncias avaliadas, o álcool foi a que apresentou a menor média de idade para o início do consumo, sendo um pouco mais de 12 anos. Dado este bastante preocupante, já que quanto mais precoce for a iniciação, piores as consequências e riscos para desenvolver a dependência ou futuros abusos no consumo.

O álcool na adolescência é extremamente desaconselhável porque o sistema nervoso central do jovem ainda está se desenvolvendo, também pela possibilidade de atrapalhar seu amadurecimento normal, causar alterações no desenvolvimento da personalidade e prejudicar funções como memória e atenção. Por sua vez, estes prejuízos podem levar a dificuldade de aprendizagem e piora no desempenho escolar.

De acordo com um recente estudo realizado da Finlândia, adolescentes que bebem em excesso tendem a ter menos massa cinzenta no cérebro, que é a estrutura responsável pela memória, tomada de decisões e autocontrole.

Sendo assim, o consumo de bebidas alcoólicas pode acarretar uma série de problemas sociais e de saúde e contribuir para a vulnerabilidade dos jovens a acidentes de trânsito, violência, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada, uma vez que o sentimento de onipotência marcante nessa etapa do desenvolvimento é intensificado pelo uso do álcool, possibilitando que os adolescentes acreditem que podem se expor aos riscos sem que lhe ocorram maiores danos..

A naturalização atribuída às bebidas alcoólicas é um dos fatores de risco ao consumo, já que em diversos contextos culturais a cerveja e a cachaça estão presentes nas comemorações e festividades brasileiras e são incessantemente expostas e divulgadas pela mídia. A bebida é associada então à busca de prazer que os jovens atribuem a bebida, à desinibição, à sociabilidade e autoafirmação.

As pesquisas têm mostrado muitos outros fatores de risco para o abuso de substâncias psicoativas. No entanto, alguns autores acreditam que as condições familiares são cruciais, já que a família é a base da estruturação emocional e psíquica do ser humano.

Como fatores protetores podemos destacar a família bem estruturada; com o envolvimento afetivo dos pais na vida dos filhos e determinando regras de conduta e limites claros; o desempenho escolar satisfatório; e as relações com outras referências da comunidade como igreja, ações sociais e esportivas.

Portanto, os riscos imediatos e de longo prazo provenientes do consumo do álcool pelos jovens reforçam a necessidade do desenvolvimento de programas de prevenção e de tratamento. O conhecimento e a compreensão dos fatores sociais, pessoais e ambientais que contribuem para a iniciação e o aumento no consumo é essencial para a iniciativa de ações eficazes de combate ao problema.

Por Fabrícia Ramos de Freitas

Lei mais em:

http://www.movimentopenochao.sp.gov.br/consequencias-do-consumo-de-alcool-na-adolescencia/

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1806-69762013000100003&script=sci_arttext&tlng=pt

http://uniad.org.br/interatividade/noticias/item/24723-%C3%A1lcool-na-adolesc%C3%AAncia-afeta-sim-o-desenvolvimento-cerebral

http://www.alcoolparamenoreseproibido.sp.gov.br/?page_id=31