A importância do Brincar - criatividade e saúde

É preciso dar uma grande importância à capacidade de brincar das crianças. A brincadeira é uma parcela significativa de suas vidas.

Se seu filho está brincando, mesmo que se sujando, bagunçando ou desconfigurando um pouco a decoração da casa, você ainda assim pode ficar satisfeito e feliz. Mesmo que não se pare para pensar nisso, para que uma criança brinque ela precisa estar relaxada, e, isso mostra o quanto confia no ambiente que a cerca. Brincar com outras crianças indica capacidade para compartilhar, assim como brincar sozinha requer capacidade para se distrair, criar e se bastar, uma habilidade que nem todos os adultos desenvolvem.

Brincar na Infância

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Mas por que as crianças brincam?

Brincam por prazer, para dominar suas ansiedades, controlar ideias ou impulsos que podem conduzir à angústia se não forem expressados.

O brincar é uma comunicação. É a maneira mais familiar da criança experimentar o mundo. É desta forma que ela expressa seus sentimentos e pensamentos, aprende sobre si mesma, sobre o mundo e o outro e é estimulada a desenvolver habilidades sociais, motoras e cognitivas. 

A brincadeira é a prática constante da capacidade criadora, é um momento de assimilação da realidade externa ao mundo interior.

À medida que a criança amadurece, a forma de brincar se transforma. No início, o bebê brinca somente com sua mãe, tocando seu corpo, com trocas de olhares, e, posteriormente, com a ampliação de seus interesses a criança passa a se interessar por objetos, depois por outras parceiras. E a partir daí começam as trocas de experiências. A brincadeira pode ser então encarada como ponto de partida na iniciação das relações sociais.

A riqueza do brincar está principalmente na alternância do tipo de brincadeira. Quando uma criança brinca com um adulto o imita, treina seu futuro, o brincar compartilhado com os pares, possibilita a aprendizagem do doar, do receber, da solidariedade, das negociações. Já a experiência solitária do brincar, permite a interiorização e a expressão do mundo interno. Mas seja qual for o momento, só ou acompanhada, é essencial que o brincar seja livre e espontâneo, partindo sempre das experiências próprias da criança, de suas descobertas e criatividade.

Mais tarde, se tudo se desenvolve de maneira adequada, as experiências lúdicas se estenderão por toda a vida, o brincar com o amadurecimento vai se transformando e na idade adulta, se expressará principalmente nas atividades esportivas e culturais, como o cinema, a literatura, as artes cênicas, a música e as artes plásticas.

O estudo do brincar e da criatividade oferece informações relevantes sobre a saúde psicológica e o desenvolvimento humano e convida a uma discussão sobre a importância das práticas lúdicas na infância como ponto de partida para a construção de bases saudáveis para o indivíduo, tanto nos aspectos subjetivos quanto em sua vida social.     

A realidade dos dias atuais, com mudanças importantes no cenário social, tem como consequência inúmeros prejuízos à qualidade de vida, como casos de depressão e violência que geram insegurança e ansiedade. Isso nos leva a urgente necessidade de refletir sobre estratégias preventivas para a saúde mental da população e prioritariamente sobre o desenvolvimento saudável da criança. Neste âmbito, considerar que muitas disfunções têm início na infância mostra o quanto é importante a valorização do brincar como estratégia para possibilitar a criatividade e a saúde psíquica dos indivíduos.

Autoria: Fabrícia Ramos de Freitas e Denise Ely Bellotto de Moraes

Referência:

Winnicott, D.W. Por que as crianças brincam. In: Winnicott, (1957). A Criança e o seu Mundo. Rio de Janeiro: Zahar Ed. 1977, pp. 161-165.