Meu filho "não come" como antes - práticas alimentares na infância

Crianca que nao comehttp://www.alagoas24horas.com.br/410292/veja-a-diferenca-de-crianca-que-nao-come-bem-ou-come-pouco

    A criança que comia toda a papinha e demais alimentos que a mãe oferecia, que dificilmente recusava colocar algo na boca, que demonstrava interesse e ficava animada com as refeições, que não ficava tão incomodada em ter que ficar no cadeirão para comer, pode não se comportar mais da mesma maneira depois do primeiro ano de vida. Mas não há motivos para pânico!

    Apesar do estranhamento e preocupação que os pais podem ter, essas mudanças no comportamento da criança são esperadas dentro do desenvolvimento infantil, pois suas condições físicas e emocionais são diferentes, o que requer compreensão e manejo adequado dos pais.

    É comum o apetite diminuir próximo ao final do segundo ano de vida, pois ocorre a desaceleração do crescimento. Nesse período o bebê cresce aproximadamente 25 a 30 centímetros e depois dos dois anos o acréscimo da estatura é mais lento, em torno de 5 a 8 centímetros variando conforme a idade (BEE, BOYD, 2011), com isso, o apetite diminui consideravelmente.

   Concomitante a esse momento, a criança começa a ampliar seus interesses pelo ambiente. O comer passa a não ser a única fonte de prazer, há o desenvolvimento do andar, que a faz depender menos dos adultos, tem um maior controle das funções motoras, podendo tocar e explorar o ambiente ao redor. Um mundo de possibilidades atrativas é descoberto pela criança e parar para comer passa a não ser muito interessante.

    A posição passiva da criança na hora da alimentação, esperando o adulto colocar a comida em sua boca, dá lugar ao desejo de autonomia na interação com a comida. A criança passa a expressar sua vontade de comer sozinha, com as próprias mãos ou com uma colher, apertar e segurar os alimentos, experiências que vão enriquecendo seu contato com o ambiente, sendo muito prazeroso a ponto de recusar-se a comer fechando a boca ou virando o rosto quando não é da forma que ela quer.

    Ao invés de ir atrás da criança pela casa com uma colher na mão ou distraí-la para conseguir dar mais uma colherada de comida, os pais podem aproveitar a curiosidade da criança para incentivar uma alimentação saudável e prazerosa, possibilitando comer por conta própria e estimular a coordenação motora ao explorar as riquezas sensoriais da comida, apresentando novos alimentos de forma tranquila, para ampliar suas preferências, sem chamar muita atenção ou criar uma tensão sobre o novo, além de refletir sobre a própria alimentação, pois os hábitos da família são exemplos que a criança irá aprender e seguir. Se essas práticas alimentares forem saudáveis contribuirão para estilos de vida que levam a prevenção de doenças e outras dificuldades para o indivíduo.

    Aos pais fica a mensagem de que as mudanças no apetite e no comportamento alimentar da criança pequena, se não tiver nenhuma doença ou complicação relacionada, são esperadas e coerentes dentro do crescimento e do desenvolvimento infantil. E apesar da preocupação e angústia que podem surgir devido a essas alterações, é importante compreender esse momento da criança e ter o manejo adequado das situações para não gerar estresse e complicações envolvendo a alimentação, como pode ocorrer ao pressionar ou chantagear a criança para comer mais.

   Apesar dessas considerações, se você achar que seu filho não se alimenta adequadamente e lhe gera preocupação excessiva, é importante buscar orientação com especialidades da área da saúde, como médico, nutricionista e psicólogo.

    Alimentação saudável é construída e incentivada com modelos, orientações e carinho. É importante que a criança coma bem, o que não significa comer mais ou apenas do modo que achamos certo.

 

Por Paola de Souza Rezende e Denise Ely Bellotto de Moraes

 

Referências

BEE, H. ; BOYD, D. A criança em desenvolvimento. Porto Alegre: Artmed, 2011.

MORAIS, D. E. B.; BRASIL, A. L. D. A criança que não come. In: NÓBREGA F. J. Vínculo mãe/filho. Rio de Janeiro: Revinter, 2005. p. 67-74.