As grandes indústrias e o consumo de Junk Food no Brasil – The New York Times

   Um dos maiores jornais do mundo, The New York Times, publicou uma vasta matéria sobre a atuação das grandes indústrias alimentícias no Brasil, com o título “How Big Business got Brazil hooked on Junk Food  –  Como a grande indústria viciou o Brasil em Junk Food”, 16 de setembro de 2017.

junk food

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   Essas empresas produzem alimentos ultraprocessados em larga escala, chamados também de junk food, sendo estes mais baratos, de maior tempo de prateleira (demoram mais a estragar) e práticos para consumo. Em contrapartida, esses produtos são de baixa qualidade nutritiva, possuem elevada quantidade de sódio, açúcar, gordura saturada, além de vários aditivos alimentares. Diante disso, seu consumo em excesso traz diversos malefícios à saúde.

   Outro fato importante destacado pelo The New York Times é o aumento do número de pessoas em sobrepeso e obesidade no Brasil relacionado diretamente com a mudança do padrão alimentar brasileiro, no qual as famílias estão mudando a sua alimentação da forma tradicional (arroz, feijão, salada, carne), para o consumo de alimentos ultraprocessados.

   Na última década, a taxa de obesidade do país quase dobrou para 20%, e a parcela de pessoas com sobrepeso praticamente triplicou, indo para 58%.  

   Essa publicação apresenta dados do crescimento dessas empresas em países em desenvolvimento, por exemplo, em relação aos refrigerantes carbonatados:

As vendas na América Latina dobraram desde 2000, ultrapassando o consumo na América do Norte em 2013. 

   Pois, enquanto as vendas dos produtos dessas multinacionais caem nos países desenvolvidos, essas empresas crescem nos países mais pobres, comercializando seus produtos de forma ostensiva, com grandes campanhas de marketing, chegando a modificar os hábitos alimentares da população local. Essas grandes empresas comercializam desde água mineral a dietas enterais, além de chocolates, biscoitos e guloseimas.

   A indústria investe fortemente para atingir os lugares mais remotos fazendo, inclusive, vendas diretas “de porta a porta”, facilitando assim a compra de pessoas que não tem acesso a supermercados. Nesses casos, a indústria prefere representantes de vendas do sexo feminino para esta tarefa. 

A queda na renda dos brasileiros pobres e trabalhadores na verdade beneficiou as vendas diretas. Isso porque, ao contrário da maioria da venda de alimentos por varejo, a Empresa oferece aos clientes um prazo de um mês para o pagamento das contas.

   A política local também contribui para a grande expansão e atuação das multinacionais no país, pois muitas vezes, essas empresas financiaram campanhas eleitorais em troca de benefícios e facilidades através do governo. Por isso, as iniciativas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 2010 para criar regras mais severas de comercialização e propaganda de produtos industrializados, foram derrotadas. E hoje, ainda temos no congresso e senado uma representação bastante desinteressada em atuar contra o lobby das indústrias alimentícias.

   Portanto, o cenário preocupante que temos é de empresas cada vez maiores e mais ofensivas, atingindo todos os lugares do país, sem regulação efetiva do governo, beneficiando-se da crise financeira e atingindo diretamente a saúde da população brasileira, mudando seus hábitos alimentares e tornando-a mais susceptível ao aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis como obesidade, diabetes, hipertensão, dentre outras.

Autoria Ianna Lôbo