Crianças amamentadas são mais inteligentes?

Estudos já comprovaram que o leite materno contém dois tipos de ácidos graxos poli-insaturados (DHA e ARA) que mostraram associação com o melhor desenvolvimento neural e da visão, o que está relacionado com as habilidades cognitivas de crianças amamentadas. Alguns exemplos da melhora das habilidades cognitivas são: a facilidade na solução de problemas, habilidade na linguagem, memoria e maior independência nas tarefas. Além disso, estudos mostram também a relação entre o aleitamento materno e a proteção contra distúrbios comportamentais das crianças, que pode ser explicado pelo mais frequente contato pele com pele com a mãe e o fortalecimento do vínculo mãe e filho.  

E quanto a inteligência dessas crianças? Os estudos ainda se mostram inconclusivos. Um estudo de coorte de Pelotas, publicado em 2015 na revista Lancet e liderado pelo Professor Dr. Cesar Victora, avaliou as taxas de aleitamento materno de cerca de 3500 crianças e diferenças em seu QI aos 30 anos de idade. O principal resultado foi que uma criança que é amamentada por pelo menos 12 meses terá, aos 30 anos, um QI mais elevado (3,76 pontos a mais), 0,9 anos a mais de escolaridade e um salário R$341,00 superior à média daqueles que foram amamentados por um período mais curto. Já um estudo mais recente, publicado em março deste ano, avaliou 8000 famílias em três momentos (aos 9 meses, 3 anos e 5 anos de idade da criança) e diferenças de QI entre as amamentadas e não. A única diferença encontrada foi na hiperatividade da criança, que foi menor nas amamentadas exclusivamente por pelo menos 6 meses em comparação as outras. Um aspecto interessante deste estudo foi o uso da técnica de pareamento: as crianças com as mesmas chances de serem amamentadas, segundo escolaridade, nível socioeconômico e grau de instrução, foram pareadas para evitar fatores de confusão.

Sabe-se que mães com menor escolaridade, jovens, solteiras e de minorias étnicas são as de maior risco para o desmame precoce. Projetos de educação no período pré- e pós-natal devem, portanto, focar seus esforços nestes grupos de risco. Mesmo com todas as divergências da literatura, os diversos benefícios do aleitamento materno são incontestáveis e a pratica deve ser incentivada em todos os níveis de atenção a gestante!

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Autoria: Sarah Warkentin