Amamentação: Vamos falar sobre mitos?

   O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno até os dois anos de vida ou mais com alimentação complementar saudável, sendo exclusivo nos seis primeiros meses de vida da criança. Até os seis meses de idade, o aleitamento materno é tudo o que a criança precisa, até mesmo para hidratação, sendo assim, não é necessário oferecer água ou chá nesse período.

   Vínculo mãe e filho, imunidade, desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, prevenção de fatores de risco para doenças crônicas, são alguns valiosos benefícios que a amamentação traz. No entanto, vários mitos e estigmas são disseminados erroneamente sobre esta prática. Diante disso, o Portal Estilo de Vida Saudável listou alguns desses mitos para serem esclarecidos.

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1) Meu leite é fraco:

   Essa é uma das principais causas da complementação alimentar precoce alegada pelas mãe. Não há leite materno fraco. O leite materno apresenta composição semelhante para todas as mulheres que amamentam e é o alimento ideal para o bebê. A mulher deve buscar ter uma alimentação saudável durante a lactação. Porém, estudos comprovam que as mulheres produzem leite de qualidade mesmo tendo uma alimentação pouco nutritiva.

2) Nos primeiros dias, não consigo produzir leite suficiente e preciso de fórmula infantil:

  O leite dos primeiros dias após o parto, chamado de colostro, é produzido em pequena quantidade e é o leite ideal para o bebê nesse momento, inclusive para os prematuros. Espesso e amarelado, o colostro é rico em proteínas e anticorpos, o que contribui muito para a imunidade da criança. Confira abaixo a quantidade necessária de leite materno para satisfazer o bebê em cada mamada nos primeiros trinta dias de vida.

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3) Tenho pouco leite:

   O mito de o leite não sustentar o bebê – por ser pouco – pode estar apoiado no choro do bebê, que geralmente é associado a fome ou ao fato de o leite não estar sendo adequado às necessidades da criança. Entretanto, a hipogalactia, que significa a falta ou produção insuficiente de leite materno, é um fenômeno bastante raro entre as nutrizes. No geral, as mulheres produzem sim, o leite na quantidade adequada para suprir as necessidades da criança. A mama deve ser estimulada da maneira correta, com a criança fazendo a pega adequada. Veja abaixo a pega adequada.

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4) Preciso contar os minutos e dar os dois peitos a cada mamada:

   O tempo de cada mamada não deve ser fixado, pois o esvaziamento da mama pode variar conforme a fome do bebê, o intervalo entre uma mamada e outra, o volume de leite armazenado na mama, entre outros. O importante é que a mãe dê tempo suficiente para o bebê esvaziar adequadamente seu seio, caso esvazie uma mama por completo e a criança ainda deseje mamar, a mãe pode oferecer a outra mama. Na próxima mamada, recomenda-se que a mãe dê o seio que o bebê mamou por último, caso tenha sido ofertado as duas mamas.

   É importante que a mãe deixe a criança esvaziar a mama, pois o leite que sai logo no início da mamada, chamado leite anterior, traz muitos benefícios para a imunidade do bebê, porém, sozinho não supre suas necessidades. Rico em água, o leite anterior mata mais a sede do que a fome. Já o leite posterior, que vem no final da mamada, é rico em proteína e gordura, sendo essencial para o ganho de peso do bebê.

4) O bebê não quer pegar o peito:

   Apesar de considerada uma prática natural e de fácil execução, várias mulheres enfrentam dificuldades para iniciar a amamentação, e um dos motivos é que os recém-nascidos, em seus primeiros dias de vida, podem ter maiores dificuldades para sugar o peito, por não estarem acostumados com aquela situação. E desse fato, pode surgir o mito de o bebê não querer pegar peito, podendo levar a uma complementação alimentar precoce.

   Uma maneira de incentivar a amamentação exclusiva e acabar com os mitos é a orientação da gestante e da nutriz, desde o pré-natal, cabendo ao profissional de saúde orientá-las sobre a forma correta de pegar a mama, posicionamento adequado da mãe e da criança no ato da amamentação e os cuidados com os mamilos, além de evitar o uso de mamadeiras e chupetas, por exemplo.

5) Não posso amamentar porque fiz redução mamária/coloquei silicone nos seios:

   A cirurgia nos seios não impede a mulher de amamentar, desde que durante a cirurgia sejam preservadas as estruturas das mamas.

6) O leite materno congelado não tem os mesmos nutrientes:

   O leite materno pode ser congelado por até 15 dias, sem a perda de suas características e qualidade nutricional. A mãe pode ordenhar o leite na sua casa, tomando os devidos cuidados para manter a qualidade do leite.

   O leite extraído manualmente da mama deve ser coletado em pote de vidro (tipo de maionese ou café solúvel) com tampa plástica de rosca, previamente esterilizado fervido em bastante água (pote e tampa). O forro de plástico que vem encaixado na tampa também deve ser retirado. Colete em cada frasco de vidro apenas o volume aproximado para cada refeição.

7) As fórmulas infantis atuais são quase iguais ao leite materno:

   O leite materno é singular. O colostro que sai na primeira mamada é considerado a primeira vacina do bebê. A fórmula atual tem suas qualidades, mas é feita com leite de vaca, que não traz os benefícios do leite materno, como o aumento da imunidade, não tem probióticos e portanto não coloniza o intestino do bebê com boas bactérias.

8) Mamadeira e chupeta não interferem no aleitamento materno:

  O uso de mamadeira e chupeta interferem na amamentação pelo posicionamento da língua do bebê. A sucção do leite no peito requer um esforço maior quando comparada com a força de sucção na mamadeira e na chupeta. Com isso, quando a mãe oferece o peito e mais os dois bicos artificiais, o bebê descobre que a mamadeira é mais fácil do que o peito. Isso pode dificultar o bebê sugar o peito e, consequentemente, diminuir o estímulo da produção de leite.

9) Meu bebê precisa, obrigatoriamente, mamar de três em três horas:

   A recomendação do Ministério da Saúde, é que a amamentação deve ser feita em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê desejar, sem limite de vezes ou duração da mamada.

10) Se eu doar leite para o Banco de Leite Humano da minha cidade, vai faltar para o meu bebê:

   Quanto mais a mãe estimular o peito a produzir leite, mais ela o terá e não faltará para o bebê. A ordenha manual ou através de bombinhas são formas de estimulação à produção do leite materno. Lembrando que os Bancos de Leite Humano precisam muito de doações de leite, informe-se na sua cidade e doe. A doação de leite materno é muito importante, porque ajuda a salvar a vida de milhares de recém-nascidos prematuros e de baixo peso (abaixo de 2,5 kg) hospitalizados, que não podem ser amamentados pela própria mãe.

Autoria: Ianna Lôbo e Ana Paula Población