Novas metas foram propostas para frear a obesidade no Brasil

No último evento da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), no dia 14 de março, o Brasil assumiu o compromisso de atingir três metas, apresentadas pelo Ministro da Saúde, Ricardo Barros:

1.       Deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional;

2.       Reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019;

3.       Ampliar em no mínimo 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.

Obesidade infantil

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Estas propostas foram feitas no âmbito da Década de Ação das Nações Unidas para a Nutrição (2016-2025), que conta, desde abril do ano passado, com a participação de diversos países das Américas e organismos internacionais. Segundo o diretor de Nutrição para a Saúde e Desenvolvimento da OMS, o objetivo da Década de Ação é “catalisar e facilitar o alinhamento de esforços coletivos que estão sendo feitos para erradicar a fome e acabar com todas as formas de má-nutrição, além de assegurar o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis”.

É necessário recuperar a cultura culinária e juntar a boa alimentação com atividades físicas. De acordo com Eve Crowley, representante da FAO para a América Latina e o Caribe, “(...) À medida que as pessoas passaram da agricultura à vida mais urbana, tornamo-nos mais sedentários. A globalização também levou a uma mudança de nossas dietas, de frutas e cereais para alimentos altamente processados”.

Ao anunciar as metas, no entanto, o Ministro da Saúde não citou como elas serão alcançadas. Apresentou a parceria já existente com o Ministério da Educação para o PSE (Programa de Saúde na Escola) e o projeto de que sejam incluídas atividades sobre como preparar alimentos. Disse ainda que pretende apoiar mudanças na rotulagem de alimentos, fazendo com que dados como a quantidade de açúcar, sal e gorduras fiquem em maior destaque na parte frontal dos rótulos, seguindo o padrão adotado no Chile (leia mais: https://www.abrasco.org.br/site/noticias/internacionais/lei-da-rotulagem-chilena-ganha-apoio-internacional/25099/).

Por fim, a fala do Ministro provocou polêmica maior que a própria meta: associou à obesidade ao fato de crianças não terem a oportunidade de aprender a descascar alimentos com suas mães. "É preciso qualificar essas crianças para manipular os alimentos. Muitas delas não ficam em casa com as mães e não têm oportunidade de aprender a descascar os alimentos", disse. Em nenhum momento ele faz referência à figura paterna. "É preciso descascar mais e desembalar menos." Será mesmo que é papel apenas das mães a educação em casa e formação de hábitos mais saudáveis? A família é a instituição com maior capacidade de estimular o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis desde a primeira infância, sendo os pais (ambos!) os primeiros educadores nutricionais e os responsáveis, principalmente durante os primeiros anos de vida, pelas escolhas alimentares das crianças.

Por Sarah Warkentin

Leia mais: http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5366%3Aem-evento-na-opasoms-brasil-assume-metas-para-frear-crescimento-da-obesidade-ate-2019&catid=1273%3Anoticiasfgcv&Itemid=821