Cuidados paliativos: a essência do cuidar

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A palavra paliativo deriva do latim pallium, cujo o significado remete a manto, capote, proteção, expressando perfeitamente o objetivo do cuidado paliativo, traduzida no cuidar e proteger os pacientes portadores de doenças crônicas ou degenerativas que não tenham mais proposta de cura. Aliviando a dor e o sofrimento destes, tendo como propósito final a qualidade de vida.

Desde os primórdios dos tempos o cuidado às pessoas em fim de vida são praticados em nossa sociedade. No século XIX, mulheres desenvolveram trabalhos importantíssimos para a construção do conceito de cuidado paliativo e de lugares com esta finalidade, como os autores Pessini e Bertachini ressaltam. Entre estas mulheres está Cecily Saunders (1996) autora do seguinte pensamento: “o sofrimento só é intolerável quando ninguém cuida”.  Trazendo-nos a luz de que cuidado no fim de vida não é somente uma forma de cuidar, mas sim uma necessidade nos ambientes de saúde, sendo estes públicos ou privados.

Entretanto dados demográficos e epidemiológicos revelam o aumento da incidência e prevalência das doenças cronicodegenerativas na população idosa, sendo lamentável que tais doenças ainda não sejam reconhecidas como indicações de uma abordagem paliativa. Tornando-se necessária a abordagem deste assunto nos diversos campos da saúde, tanto na prática quanto na pesquisa. 

Mas quais são as possibilidades do cuidar paliativo? O que é cuidar de alguém sem prognóstico de cura? Antes de qualquer outro questionamento, é importante dizer que não apenas o portador da doença está adoentado, mas também seu familiares e suas relações com estes. Sendo esse o início do cuidado: a aproximação da família a fim de esclarecer questionamentos e informá-las sobre os passos que serão dados em seguida.   

Amenizar as manifestações físicas da doença deve ser o foco da equipe de saúde, manejando sintomas como dor, náusea, inapetência e insônia. Para tanto, os cuidados paliativos exigem uma equipe completa com médico, enfermeiro, nutricionista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, psicólogo e assistente social, que terão como meta o tratamento do sofrimento de forma holística, expandindo-se do paciente até sua família. Com foco sempre na qualidade de vida.

Iniciar uma abordagem paliativa no tratamento de uma doenças não significa desistir de tentar, mas sim tentar de outra forma, com outro olhar. Erroneamente, algumas pessoas, (profissionais e leigos) entendem o cuidado paliativo como “jogar a toalha”, quando, na verdade, é pensar unicamente em promover o bem e o melhor convívio dos principais envolvidos na doença terminal: o paciente e sua família.

Autoria Claudia Sales e Mariany Abreu

Leia mais em: Vamos falar de cuidados paliativos? - Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia