A depressão no envelhecimento

idoso depressao

Fonte da Imagem

Com o crescimento da população idosa houve também um aumento das doenças crônicas não transmissíveis, incluindo alguns transtornos mentais como a depressão. Um estudo realizado no ano de 2016 na cidade de Pelotas (RS) mostrou que 15,2% da população desta faixa etária apresentavam sintomas depressivos. Sabemos que quando se trata de idosos hospitalizados ou em instituições de longa permanência, estes números são ainda maiores. O mesmo estudo ainda mostrou que as mulheres, os idosos com baixa renda, os que não trabalham e os fisicamente inativos são os grupos que possuem maiores chances de apresentarem sintomas depressivos.

A causa da depressão é multifatorial, ou seja, diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença. Por isso, em alguns casos não há um motivo aparente, sendo que a doença pode ser causada por um acontecimento determinado ou um fato negativo como também com a soma de diversos fatores estressantes ou traumáticos para o indivíduo.

A depressão se diferencia da tristeza por ser persistente e interferir diretamente na qualidade de vida do indivíduo acometido. Os principais sintomas que podem ser observados são: fadiga, fraqueza, tonturas, ansiedade, palpitações, falta de ar, alterações no sono e no apetite, dor de cabeça, dores no corpo entre outros. É muito comum que inicialmente os pacientes apresentem mais queixas físicas do que queixas emocionais, o que explica muitas vezes a não identificação da doença.

Tendo em vista a estigmatização da depressão alguns pacientes acabam não valorizando seus sintomas e julgam ser inútil relatar o problema a um profissional da saúde. É importante ressaltar que esta doença não faz parte do processo de envelhecimento portanto, deve ser diagnosticada e tratada. E após o diagnóstico, alguns idosos podem compreender erroneamente o significado da depressão, entendendo que tem relação apenas com uma “fraqueza e espírito”, que não pode ser revertida ou tratada. Assim a conversa da família e do médico que o acompanha deve esclarecer qual a função do tratamento que pode ser medicamentoso ou não. Sempre incentivando maior engajamento do idoso em novas atividades, físicas e sociais.

Alguns casos de depressão podem responder também a psicoterapia, seja com ou sem a família. Alguns dos fatores que levaram a este quadro, como em qualquer faixa etária,  podem estar associadas a situações que surgem dentro do contexto familiar. Lembrando que cada vez mais o número de gerações que dividem o mesmo lar? é cada vez maior e mais comum.  Este pode ser um cenário revertido de forma a contribuir para melhora do transtorno de humor, integrar o idoso as atividades da casa, evitando a imagem de incapacidade, por vezes ligada ao envelhecimento, principalmente quando é chegada o tempo da aposentadoria.

Para saber mais: Envelhecimento e saúde da pessoa idosa

Autoria Claudia Sales e Mariany Abreu