Delirium: o que é, quais as consequências e como prevenir.

O delirium corresponde a uma síndrome geriátrica caracterizada por um estado agudo de confusão mental, que apresenta alternância entre períodos de lucidez e momentos de exacerbação dos sintomas.

 Dentre as diversas manifestações clínicas do delirium as principais são déficit de atenção com dificuldade em manter diálogos ou obedecer a comandos simples, desorientação espacial e temporal, desorganização do pensamento com discursos incoerentes, alterações psicomotoras como agitação ou lentificação, alucinações e delírios, agressividade e alteração do ciclo sono-vigília com predomínio de sonolência diurna e agitação noturna.

Delirium em idosos

Esta síndrome geriátrica pode ser desencadeada pela interação entre diversos fatores, tais como: idade avançada, uso de diversas medicações, desidratação, constipação intestinal, presença de doenças infecciosas, dor, restrição física e déficit cognitivo pré-existente, podendo a demência elevar em 2 a 5 vezes a chance de desenvolvimento de delirium.

Em pacientes idosos internados em unidades de terapia intensiva 70% a 87% desenvolvem delirium, já no pós-operatório a incidência varia de 15 a 53%. Fora do ambiente hospitalar o delirium também pode estar presente, sendo observado que em instituições de longa permanência esta síndrome geriátrica acomete até 60% dos idosos podendo chegar a 83% naqueles na fase final de vida.

O delirium aumenta a taxa de mortalidade, sendo comparável a mortalidade por infarto agudo do miocárdio e sepse. Além disso, pacientes com delirium têm três vezes mais chances de desenvolverem demência e apresentam maior tempo de internação e institucionalização após a hospitalização.

Estima-se que um terço dos casos de delirium podem ser evitados por meio do manejo adequado dos fatores precipitantes. Algumas estratégias são: permitir a presença de familiares como acompanhantes, incentivar à mobilidade e autocuidado, manter iluminação adequada e o ambiente silencioso, utilizar relógios e calendários para melhorar a orientação, possibilitar um padrão de sono adequado e corrigir déficit sensorial com uso de óculos e prótese auditiva.

Deve se evitar restrições física como contenção no leito, contra argumentar com o paciente, utilização de muitos medicamentos desnecessários, desidratação, constipação intestinal e controle inadequado da dor.

 Apesar da sua alta incidência e graves consequências, o delirium permanece subdiagnosticado, o que prejudica o seu tratamento adequado. Portanto, é imprescindível a conscientização da população sobre esta importante síndrome geriátrica para reduzir as complicações e mortalidade nos idosos.

Por Raoana Chaves

Bibliografia:

Potter J, George J. The prevention, diagnosis and management of delirium in older people: concise guidelines. Clinical Medicine. 2006;6(3).

RR Lôbo, SRB Silva Filho, NKC Lima et al. Delirium. Medicina (Ribeirão Preto) 2010;43(3): 249-57