Dieta do Mediterrâneo e a saúde do cérebro

Dieta do Mediterraneo

 

Nos anos 50 e 60 do século XX, no sul da Itália, Grécia e Espanha, surgiu um padrão alimentar que atualmente é conhecido como dieta do mediterrâneo. A palavra dieta tem sua origem grega, “diaita”, que significa modo de viver. Mais do que recomendações do que e quanto comer, a dieta do mediterrâneo representa um estilo de vida que engloba a prática regular de atividade física, uso de ingredientes sazonais, provenientes da agricultura local e tradicional e estímulo à alimentação como um ato social e cultural.

Esta dieta é caracterizada pelo consumo abundante de alimentos frescos e pouco processados, como os de origem vegetal (frutas, legumes e verduras), utilização do azeite de oliva como principal fonte de gordura, consumo de leite e seus derivados com baixo teor de gordura, inclusão de nozes e sementes diariamente, consumo frequente de peixes e frutos do mar e baixo consumo de carnes vermelhas e alimentos industrializados.

Diversos estudos demonstraram a associação entre a dieta do mediterrâneo e menor risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes e obesidade. Recentemente cientistas da Universidade de Columbia nos Estados Unidos demonstraram que a alta adesão a este estilo de vida está associada a um risco reduzido no desenvolvimento da doença de Alzheimer, caracterizada pela morte dos neurônios no cérebro.

Nesta pesquisa, realizada com idosos sem demência, foi evidenciado que aqueles com boa adesão à dieta do mediterrâneo apresentavam um volume cerebral maior do que os idosos que tinham uma baixa adesão, principalmente em regiões cerebrais cujas funções estão relacionadas à memória. Além disso, também houve diferença na espessura do córtex cerebral, local que é acometido pela atrofia na vigência da doença de Alzheimer.

Segundo os pesquisadores, a adesão a pelo menos cinco recomendações da dieta do mediterrâneo seria capaz de prevenir a redução do volume cerebral correspondente a cinco anos de envelhecimento. Acredita-se que o provável mecanismo por trás desta associação esteja ligado ao alto consumo de peixes, fontes de ômega-3, vitamina D e vitaminas do complexo B, e ao baixo consumo de carne vermelha e alimentos processados o que promoveria a manutenção da estrutura cerebral.

Assim, de acordo com esta pesquisa a inclusão da dieta do mediterrâneo na prática alimentar diária corresponderia a uma boa estratégia para manter a saúde do cérebro, prevenindo suas alterações estruturais decorrentes do processo de envelhecimento, além de evitar o desenvolvimento de outras doenças.

 

 

Por Raoana Chaves 

 

Bibliografia:

  Gu Y, Brickman AM, Stern Y, Habeck CG, Razlighi QR, Luchsinger JA, Manly JJ, Schupf N, Mayeux R, Scarmeas N. Mediterranean diet and brain structure in a multiethnic elderly cohort. Neurology. 2015;85(20):1744-51.