DIABETES NO IDOSO: uma visão do todo

Diabetes no idoso
Fonte: Google Imagens, disponível em http://familycaregiverblog.com/?p=613

Em vista do cuidado integral que engloba a saúde do idoso e a alta prevalência de doenças crônicas não transmissíveis nessa população, o tratamento do diabetes deve ser individualizado, visto que suas complicações são as mesmas de um indivíduo jovem, mas podem ter um maior impacto na qualidade de vida. Sabe-se que o próprio envelhecimento causa uma série de mudanças no funcionamento dos órgãos que tornam o indivíduo mais propenso a desenvolver a doença. Aliada às alterações normais que ocorrem com a idade, que por si só já tornam o idoso um indivíduo com necessidades nutricionais e ingestão alimentar diferenciados, a falta de atividade física e alguns fatores sociais como diminuição do poder aquisitivo, isolamento social, dificuldade de locomoção, pouco acesso aos alimentos (compra, dificuldade no preparo por baixa acuidade visual ou cognição), tornam o manejo do diabetes no idoso diferente do indivíduo jovem. Do ponto de vista nutricional, as recomendações se assemelham à alimentação saudável do idoso não diabético, que incluem:

 - Fracionamento de refeições em 5 a 6 refeições por dia (3 refeições principais: café da manhã, almoço, jantar - 2 ou 3 lanches intermediários,  ajustados aos horários à ação dos medicamentos e à atividade física);

- Consumo de 2 a 4 porções de frutas, consumidas ao longo do dia, com pelo menos uma rica em vitamina C (frutas cítricas);

- Consumo de 3 a 5 porções de hortaliças cruas e cozidas;

- Preferência ao consumo de cereais integrais quando há condições adequadas de digestão, mastigação e deglutição destes alimentos;

- Preferência pelo preparo dos alimentos grelhados, assados ou cozidos no vapor;

- Alimentos dietéticos e light podem ser inseridos na alimentação, mas não utilizados de forma exclusiva, de preferência com a orientação de nutricionista;

- Diminuição do consumo de doces, bebidas açucaradas e industrializados (biscoitos, bolos, sorvetes, temperos e molhos prontos, embutidos, macarrão instantâneo, entre outros) que contém quantidades consideráveis de gordura, sal e/ou açúcares em excesso, além de conservantes.

Lembrando que o tratamento deve considerar não só a alimentação e atividade física, mas também um cuidado especial com as medicações, uma vez que o uso de múltiplos medicamentos é comum no idoso, sendo necessário se atentar às interações entre os próprios medicamentos e com os alimentos, assim como aos possíveis efeitos colaterais (ex.: alterações de apetite, boca seca) que podem interferir na ingestão, e às suas doses já que episódios de hipoglicemia (açúcar no sangue muito baixo) podem levar a tonturas, fraqueza, e consequentemente à quedas, assim como a hiperglicemia (açúcar no sangue muito alto) pode também levar à confusões mentais e a longo prazo levar a danos graves em diversos órgãos.

As orientações para o idoso diabético devem ser individualizadas à sua realidade e contexto, considerando hábitos alimentares, escolaridade, contexto social, doenças pré-existentes, custo-benefício de medicamentos prescritos e funcionalidade. 

Por: Ailim Kurata e Liliane Mendes 

Nutricionistas especializandas em Envelhecimento 

Referências bibliográficas:

Cuppari, L. Diabete melito. In: Viggiano, CE. Guia de nutrição: Nutrição clínica no adulto. 3a edição. Barueri, SP: Editora Manole, 2014. p.247-248.

Seyffarth, AS; Lima, LP; Leite, MC. Abordagem nutricional em diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde, 2000. p. 51-58.