Substituição de comidas por lanches, é possível?

Substituição de comida por lanche

Sabe-se que a indústria alimentícia vem cada vez mais desenvolvendo tecnologias para atrair os consumidores a consumirem alimentos ultra-processados e de baixo valor nutricional. Diante disso, os hábitos alimentares “tradicionais”, ou seja, alimentos caseiros com preparações culinárias e naturais são substituídos por alimentos prontos, de fácil preparo, ricos em conservantes e aditivos químicos.

Pesquisas mostram que o hábito alimentar dos brasileiros vem mudando, mas apresenta pouca variação entre faixa etária, gênero ou condição financeira (Souza et. al., 2013). Contudo há diminuição do consumo de frutas e hortaliças e aumento de alimentos ricos em gorduras e açúcares em todos os estratos populacionais. Diante disso, a incidência de doenças crônicas não-transmissíveis e o surgimento de novas doenças relacionadas aos maus hábitos alimentares aumentam gradativamente.

Outro fator que interfere no hábito alimentar é a mudança do estilo de vida, no qual as pessoas têm menos tempo para realizar refeições mais elaboradas, e preparar alimentos que exigem tempo; assim, optam por refeições rápidas, menos nutritivas e que favorecem cada vez menos a interação social.

Atualmente, os idosos acima de 65 anos são os que mais substituem preparações culinárias no almoço e no jantar por lanches como pizzas, sanduíches, salgados, entre outros, como mostra a mais recente pesquisa Vigitel.

Diversos fatores associados ao envelhecimento influenciam na escolha alimentar como as alterações gustativas, uma vez que o envelhecimento gera a atrofia de papilas gustativas responsáveis pela percepção dos sabores (doce, salgado, azedo, amargo) e, com isso, a diminuição do prazer por alguns alimentos e preferência por outros mais condimentados e saborosos.  (Paula et. al., 2008). Alterações de humor e isolamento social também influenciam o hábito alimentar dos idosos; eles preferem alimentos mais práticos e que propõem sensações de maior prazer, mesmo que momentâneas. E também, muitas vezes esses indivíduos apresentam limitações mecânicas/ motoras e dão preferência a refeições pré-preparadas e que exigem menor movimentação corporal.

Portanto, um sanduíche ou um lanche não necessariamente são tão maléficos aos idosos, que consomem esses alimentos há tempos, mas o nutricionista que trabalha na gerontologia é capaz de orientar a melhor escolha para estes idosos, procurado incluir nestas refeições alimentos essenciais que contenham nutrientes como carboidratos, proteínas, fibras e minerais, a fim de evitar as carências nutricionais e a desnutrição.

Por Ailim Kurata e Liliane Mendes 

Fontes:

·         Souza, A. M., Pereira R. A., Yokoo, E. M., Levy, R. B., Sichieri, R. Alimentos mais consumidos no Brasil: Inquérito Nacional de Alimentação 2008-2009. Rev Saúde Pública. v.47, n.1 Supl, p.190S-9S, 2013

·      Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil 2013: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

·      Paula, R. S.; Colares, F. C. J.; Toledo, J. O.; Nóbrega, O. T. Alterações gustativas no envelhecimento. Revista Kairós, São Paulo, v.11, n.1, p. 217-235, jun. 2008.