Gincana Escolar – alternativa para formação de bons hábitos alimentares?

 

Gincana escolar

Foi notícia na Folha de São Paulo do dia 19 de Junho (http://www1.folha.uol.com.br/saber/753720-gincana-com-alunos-do-colegio-sion-pede-coca-cola-e-proibe-sucos-e-cha.shtml) uma polêmica Gincana feita em um colégio particular localizado no centro de São Paulo. O desafio era cada aluno trazer o maior número possível de latas de Coca-Cola® para a escola, para que assim houvesse refrigerantes na festa Junina da escola. E foi ainda muito bem esclarecido: o aluno que trouxesse sucos, água, chás ou água de coco, opções mais saudáveis, não ganharia os pontos na gincana e dificilmente iria ganhar o prêmio: a turma da educação infantil ganharia entradas para um parque de diversões e as do ensino fundamental, ingressos para o cinema.

Um colégio que deveria ser o local em que as crianças obtêm informações valiosas sobre alimentação saudável, passa a ser um exemplo, neste caso, de um estilo de vida pouco saudável, incentivando o consumo de refrigerantes entre as crianças. Na matéria, a mãe de uma criança de três anos fica indignada, pois tinha planos de não oferecer refrigerantes à sua filha por um longo tempo ainda, tarefa que se torna cada vez mais difícil, pois a criança já reconhece a bebida nos supermercados e lembra que a escola incentiva a compra. Ao ser questionada, a escola se defende, dizendo que a gincana é uma questão de organização, para que tenha apenas uma marca de refrigerantes na festa. A cantina da escola venderia apenas salgados assados e as opções mais saudáveis da festa ficaria por conta da escola. Seria educativo servir água e frutas, como maçãs, peras e bananas junto com os assados, optar pelo refrigerante denota alto grau de desinformação.

É necessário rever o papel da escola na educação alimentar e nutricional das crianças. A escola tem papel fundamental para as crianças, devendo ser um exemplo a ser seguido, por isso deve-se tomar muito cuidado ao criar gincanas como esta, que favorecem a formação de hábitos alimentares inadequados, e conseqüentemente o aparecimento cada vez mais precoce de sobrepeso, obesidade e doenças crônicas não-transmissíveis.

Por Sarah Warkentin