Pais não percebem e os filhos não param de engordar

No último dia 15 de fevereiro, a Folha de São Paulo, divulgou estudo recente que aponta que os pais de crianças acima do peso ideal tendem a achá-los saudáveis e mais magros do que realmente são. Uma porcentagem altíssima de 77% dos pais de crianças com sobrepeso classificou seus filhos como tendo um peso normal – fato que pode dificultar muito o diagnóstico e tratamento da obesidade infantil.

Obesidade infantil

Foi mostrada também uma escala visual de diferentes formatos corporais, na qual os pais tinham que enquadrar seus filhos. Todos os pais classificaram seus filhos com uma até três posições abaixo do correto.A pesquisa, publicada no periódico Acta Paediatrica¹, foi feita na Holanda, com a participação de 800 pais e mães de 439 estudantes de 4 a 5 anos de idade. Os pais tiveram que classificar os seus filhos segundo o peso: “alto”, “pouco alto”, “normal”, “pouco baixo” ou “muito baixo”. O resultado obtido mostrou que 75% das mães e 77% dos pais das crianças com sobrepeso relataram que o seu filho tinha um peso normal e quase metade das crianças obesas foram tidas como eutróficas pelos pais e o resto, só com a classificação “peso pouco alto”.

Mesmo pais de crianças eutróficas viam seu filho como mais magro do que realmente era – ocorreu em 97% dos casos. Apenas 7% dos pais viam o peso do filho com preocupação.

Um fato interessante é que os pais que não tinham consciência do peso dos filhos tinham consciência de que eles próprios estavam acima do peso: 83% das mães com sobrepeso e 98% das obesas reconheceram seu excesso de peso.

Este achado mostra-se alarmante, pois, como dizem alguns autores, "As mensagens de saúde pública não vão atingir os pais se eles não conseguem identificar que seus filhos estão com excesso de peso". Existe, portanto o velho pensamento de que a criança gordinha é saudável e os pacientes acabam sendo trazidos para um tratamento mais tarde do que deveriam.

O Instituto Movere², organização não governamental que luta contra a obesidade infanto-juvenil trabalha sem fins lucrativos e tem por finalidade a reeducação alimentar, atividades físicas, e mudança de comportamento para crianças e adolescentes de baixa renda com sobrepeso e obesidade. Segundo Vera Lúcia Perino Barbosa, presidente do Instituto, as crianças obesas que são atendidas, não chegam com a queixa de excesso de peso, e sim porque a mãe relata problemas de saúde como crises de bronquite ou outra alergia e neste momento o médico percebe que a criança precisa de um acompanhamento nutricional que promova a diminuição do peso corpóreo.

A diretora da Abeso³ (Associação Brasileira para o Estudo de Obesidade e da Síndrome Metabólica) Cláudia Cozer diz que os pais de crianças obesas normalmente também estão acima do peso e antes de perceberem que os filhos têm problemas com o peso, têm que enxergar a sua própria obesidade, o que dificulta o diagnóstico rápido da obesidade infantil.

A Folha de São Paulo retrata ainda a história de um menino que é atendido pelo Instituto Movere. Aos 10 anos de idade apenas, o garoto já pesava 86 quilos. Sua mãe só percebeu que o filho tinha problemas ao perceber que ele não brincava mais como antes pois logo se cansava. Não relacionou a falta de fôlego ao excesso de peso do filho. O menino hoje em dia está com seu peso adequado e recuperou o fôlego para as brincadeiras.

O cuidado com o peso das crianças já deve começar desde cedo. Segundo um estudo feito nos EUA, a tendência à obesidade já é definida antes das crianças completarem 2 anos de idade. A pesquisa avaliou uma amostra de mais de cem crianças e adolescentes obesos e mais da metade já estava acima do peso aos 2 anos e 90% estava nesta condição ao completar cinco meses de idade. Supõe-se que as razões para o excesso de peso sejam uma dieta pobre, a introdução precoce da alimentação e exercício físico insuficiente.

 Por Sarah Warkentin e Kelly J. Viana

Fontes:

¹http://www3.interscience.wiley.com/cgi-bin/fulltext/122680148/HTMLSTART 

²www.institutomovere.org.br

³ www.abeso.org.br