A influência do ambiente nas escolhas alimentares, segundo Paul Rozin

 

Pioneiro da nutrição comportamental, o psicólogo e doutor em biologia Paul Rozin, da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos, defende o conceito de ‘moderação’ nas questões alimentares no lugar do pensamento binário de que um alimento “faz bem ou faz mal”, e de que é preciso promover mudança no ambiente para que haja mudanças nas atitudes das pessoas.

nutricao comportamental
Fonte: Google – www.nutricaocomportamental.com.br

Confira a entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo em dois de novembro:

Do que trata a nutrição comportamental?

A nutrição comportamental está aí para falar que não é preciso mudar tudo. Sugere mudanças simples: é mais fácil andar mais do que ir à academia, e comer devagar e menos do que deixar de comer.
Um exemplo de aplicação é o seguinte: não adianta falar que a pessoa tem que parar de comer quando "sentir que está satisfeita", sendo que há outros aspectos envolvidos, como o fato de sempre ter comida gostosa na frente dela. O mais eficaz seria orientar para colocar uma porção menor na mesa ou comprar embalagens menores no supermercado.

Essas pequenas mudanças no cotidiano não são muito limitadas para quem precisa perder muito peso?
Claro que algumas pessoas vão precisar de um programa mais detalhado e, para obesidade mórbida, há a cirurgia bariátrica, quando os benefícios se sobrepõem aos riscos.
Mas há um limite para as mudanças do corpo. Gosto de dizer que é preciso pensar o peso como tão difícil de mudar como a altura. E não se preocupar tanto. Preocupação faz mal à saúde. Dietas preocupam.

Acredita que a nutrição tem colocado muita responsabilidade sobre os indivíduos?
É mais fácil mudar o ambiente que as pessoas. Investir em transporte público, por exemplo, leva as pessoas a andarem mais. Tentamos mudar os indivíduos por muito tempo e falhamos.

Como se pode ter uma educação para a nutrição?
Precisamos entender que uma mesma substância pode apresentar riscos e benefícios. Hoje, o pensamento é binário enquanto os fenômenos são complexos. A ciência não é necessariamente boa ou má, mas precisamos entender como ela funciona para enxergar suas possíveis falhas. A mídia divulga algo sobre determinado alimento, e as pessoas já querem retirá-lo da dieta.

Quais seriam essas falhas?
Não se trata de uma falha propriamente dita, mas de entender, por exemplo, que o antibiótico pode ser bom para muitas aplicações, mas tem um risco em potencial, que é o de resistência.
Ou que as informações de que é preciso eliminar o glúten se destinam àquela parcela de 1% da população que têm reação imune à proteína.
Um conceito importante que precisa ser introduzido na alimentação é o de moderação, mas ele parece ter sido esquecido na modernidade.
Também está na natureza do ser humano querer fazer do mundo um lugar mais simples. As pessoas não gostam da ideia de que algo que é muito bom possa ter problemas. Então, transformam o que tem problema numa coisa necessariamente ruim. E algo que tem benefício para um grupo específico [como a dieta sem glúten] em algo totalmente bom para elas.

 Por Laís Amaral Mais

 Leia mais em:

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2014/11/1541917-dieta-depende-mais-do-ambiente-que-do-individuo-diz-psicologo.shtml

www.nutricaocomportamental.com.br