Anabolizantes

anabolizante
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O culto ao corpo ideal envolve discussões em diversas áreas de atuação do homem moderno. O corpo é considerado um objeto que pode ser modelado, e as modificações que ele pode sofrer são comentadas e discutidas nos mais diferentes meios de comunicação existentes no planeta.

Os anabolizantes são considerados como um dos principais instrumentos utilizados no trabalho de modelar o corpo. Sãoprodutos pouco dispendioso, acessíveis a todos e cujos efeitos podem ser observados em pouco tempo. Muitos jovens adolescentes e atletas têm recorrido a eles não só para melhorar o desempenho esportivo, mas também para obter um corpo mais bem delineado, mais atraente e que lhes possa trazer melhoria na auto-estima.

O resultado do uso indiscriminado dessasdrogas, ao lado das anfetaminas, álcool, cafeína, e diversos outros agentes dopantes vêm sendo observados com muita preocupação pela Medicina, Psicologia, Educação, Órgãos Sociais e Preventivos de todos os países. Esforços vêm sendo desenvolvidos no sentido de organizar projetos preventivos e terapêuticos que possam eliminar ou diminuir os desastres conseqüentes ao uso indiscriminado dessas substancias.

Neste espaço vamos nos deter a examinar os anabolizantes. São substancias que compreendem uma variedade enorme de agentes farmacológicos que tem efeito de aumentar a força, a destreza e o desempenho de quem usa. É interessante comentar que a grande maioria dos usuários são atletas extremamente preocupados com seus treinos, suas possíveis contusões e com sua alimentação. Pecam por excesso de cuidados nessas áreas, e, no entanto utilizam as substâncias dopantes sem orientação e sem o mínimo cuidado com os efeitos colaterais potenciais.

Definição

Os esteróides hormonais são sintetizados e liberados pelo córtex das glândulas supra-renais. Essa secreção é controlada pela liberação hipofisária de corticotropina (ACTH). Eles podem ser classificados em: glicocorticóides que exercem funções importantes no metabolismo intermediário, mineralocorticóides, que exercem atividade de retenção de sal, e aqueles que possuem atividade androgênica, representados pela testosterona (5% da produção é feita pelas adrenais).

A maior parte datestosterona, que representa o principal andrógeno, é produzida pelos testículos (95%). A testosterona e os seus derivados, dihidrotestosterona e androstenediona, representam os principais anabolizantes androgênicos produzidos no organismo.

A produçãodiária de testosterona é de 4 a 10 mg.

A síntese de testosterona ocorreu em 1935 e o seu uso, na época era principalmente por soldados para adquirir mais agressividade.

Na década de 50, iniciou-se entre os halterofilistas e fisiculturistas o uso ilícito dos anabolizantes entre os esportistas.

Por questões éticas e pelosefeitos nocivos que podiam produzir à saúde, essas substâncias passaram a ter o seu uso proibido pelo Comitê Olímpico Internacional a partir de 1976, por ocasião da realização das Olimpíadas de Montreal. Mesmo com todo o controle, há pouco mais de 10 anos o Comitê Olímpico constatou que a testosterona ainda era a substancia dopante mais utilizada entre os atletas competitivos.

No Brasil, os esteróides anabólicos androgênicos são considerados substâncias dopantes desde a portaria 531 do MEC - 10/07/1985.

Epidemiologia e Ação dos anabolizantes

Essas substanciam podem ser utilizadas por via oral, mas a via injetável costuma ser preferida pelos seus efeitos mais rápidos e eficazes.

Não existem estatísticas confiáveis da sua utilização exatamente por se tratar de produtos proibidos e utilizados apenas no submundo do esporte ou das comunidades jovens. Sabe-se que o uso é preferencial entre as idades de 18 a 34 anos e principalmente entre os homens. 

Os principais efeitos metabólicos da atuação dessas substancias:

  • retenção de nitrogênio e desenvolvimento muscular em quem tem Insuficiência deandrógenos naturais.
  • no músculo, liga-se a receptores da musculatura e o complexo esteróide-receptor estimula a produção de RNA, promovendo aumento da síntese de proteínas no ribossomo da célula - especialmente miosina e actina - proteínas contráteis produtoras de energia e que geram mais força.
  • ação central de agressividade e uma sensação de alerta constante que leva a mais rápida recuperação após o exercício.
  • a agilidade, destreza e o desempenho físico seriam aumentados.

Estes aspectos ainda dependem de mais estudos para serem confirmados.

Indicações

Entre as principais indicações do uso supervisionado dos anabolizantes estão:

  • deficiência de testosterona, câncer de mama, angioedema hereditário, anemia aplástica, endometriose, estimulo de crescimento em caso de puberdade tardia nos meninos, promoção deaumento de massa muscular e seu fortalecimento.

 Riscos

  • em homens: diminuição de testículos, azospermia, esterilidade, ginecomastia, calvície, acne, aumento de glândulas sebáceas, ruptura de tendões por excesso de massa muscular.
  • em mulheres: diminuição de mamas, acne, virilização, distúrbios menstruais, pilosidade, aumento clitoridiano
  • parada de crescimento, virilização,doenças hepáticas inclusive câncer, policitemia e alterações de coagulação , estrias atróficas.
  • dislipidemia - diminuição da fração HDL e aumento da LDL e do colesterol total - portanto risco aumentado de doença cardiovascular.
  • alterações de personalidade, agressividade, euforia, distração, confusão mental, uso de outras drogas, quadros depressivos e suicídio pelo fato de muitas vezes ser usado por via injetável, a contaminação e a difusão de outras moléstias é possível.
  • o uso é ilegal - artigo 278 : venda de produtos nocivos a saúde e artigo 282 : falso exercício da Medicina.

 A busca pelo corpo perfeito e pelo melhor desempenho no esporte tem se tornado um grande problema entre os jovens. A conscientização dos usuários deve partir dos educadores desde a infância. O Pediatra e os pais devem estar preocupados na orientação das crianças e adolescentes com respeito aos riscos do uso de anabolizantes. A mídia, e os órgãos esportivos devem continuar a colaborar para a erradicação desses produtos, seja incentivando a pesquisa de novos métodos de detecção , seja no esclarecimento dos perigos que eles representam para o esporte como entidade formadora de personalidade do homem.

 O quadro abaixo mostra os principais produtos que possuem ação anabolizante, efeito androgênico e possível hepatotoxicidade :

Nome Genérico

Nome Comercial

Formulação

Anabólico

Androgênico

Hepatotoxidade

Androisoxazol

Neopondren, Neo-ponden

Cps 5 mg

Bastante

Pouco

Sim

Androstanolona

Androlone, Neodrol, Anabolex, 
Anaprotin, Protona

Oral (10 e 25 mg), 
injetável (100 mg/mL)

Bastante

Pouco

Pouca

Boldenona

Equipoise,Parenabol

Injetável (50 mg/mL)

Bastante

Médio

Pouca

Etilestrenol

Durabolin-o,Maxibolin, Orabolin

Oral (2 mg)

Pouco

Pouco

Bastante

Fluoximesterona

Halotestin

Oral (5 mg)

Bastante

Bastante

Bastante

Metandienona

Danabol,Dianabol

Oral (5 mg)

Bastante

Pouco

Bastante

Nandrolona

Deca-durabolin

Injetável

Bastante

Pouco

Pouca

Oxandrolona

Anavar,Lipidex

Oral (2,5 mg)

Bastante

Pouco

Bastante

Oximetolona

Hemogenin

Oral (5 e 50 mg)

Bastante

Pouco

Bastante

Stanozolol

Winstrol,Stromba-jet

Oral (2 e 5 mg), 
injetável (25 mg/mL)

Bastante

Pouco

Bastante

Testosterona cristalina

Durateston

Oral e sublingual

Bastante

Bastante

Não

Dr. Ary Lopes Cardoso 
Responsável pela Unidade de Nutrologia 
Instituto da Criança - Hospital das Clinicas da FMUSP

Referências -

  1. McArdle W, Katch F, e Katch V - Esssentials of Exercise Physiology - 1994 Ergogenic Aids - p 403.
  2. Souza ES, Fisberg M - O uso de esteróides anabolizantes na adolescência. www.brazilpednews.org.br/mar2002/bnp3302.html
  3. Pinho Ribeiro PC - Esportes e o uso indevido de esteróides anabolizantes.— Comitê de Adolescência da SBP - Esportes e o uso indevido de esteróides anabolizantes. (www.smp.org.br)
  4. Lamb DR - Maio/Junho 1996 - O uso abusivo de esteróides anabolizantes no esporte -- Gatorade Sports Science Institute
  5. Esteróides anabolizantes - Centro Brasileiro de Informações sobre drogas psicotropicas. UNIFESP - 2002