Bicicletário no metrô - Uma boa alternativa?

Segundo pesquisa Ibope, realizada em setembro de 2008, o trânsito foi o 2º problema mais referido pelos paulistanos. O tempo médio de deslocamento pela cidade de São Paulo para realizar as principais atividades do dia passou de 1h40 em janeiro de 2008 para 2h em setembro. Quando questionados sobre possíveis soluções para esse problema, 94% dos paulistanos opinaram a favor da construção e ampliação de ciclovias, referindo que a substituição do carro pela bicicleta seria estimulada pela construção de ciclovias (37%) e pela construção de bicicletários em estabelecimentos e terminais de trens, ônibus e metrô (11%).

Inserir a bicicleta no dia a dia das pessoas para irem ao trabalho ou fazerem compras, além de amenizar o trânsito e diminuir o tempo de locomoção, é uma ótima maneira de promover a prática de atividade física e combater o sedentarismo.

Diante desta realidade, o metrô de São Paulo inaugurou em abril de 2007, o primeiro bicicletário, na estação Guilhermina-Esperança, linha 3 (vermelha). Este serviço foi sendo ampliado, e hoje está presente em quinze estações, dispondo de aluguel de bicicletas e vagas de estacionamento para estas, funcionando diariamente das 6h às 22h.

atividade fisica

A fim de facilitar e incentivar o seu transporte, o metrô também disponibiliza de segunda a sexta-feira a partir das 20h30, aos sábados a partir das 14h e aos domingos e feriados durante todo o período de funcionamento, o último vagão de seus trens para o transporte de bicicletas (http://www.metro.sp.gov.br/servicos/bicicletario/regulamento.asp) .

Nos primeiros 4 meses do programa, com 4 bicicletários em funcionamento, foram emprestadas 3,3 mil bicicletas e 5,2 mil estacionadas. Dados ainda bem distantes da realidade de outros países, já que na maior cidade da França, os bicicletários de Paris chegam a emprestar 70 mil bicicletas diariamente. No Brasil, as cidades do Rio de Janeiro e Brasília também têm bicicletários em suas estações.

Nos finais de semana, a média de entrada de pessoas com bicicleta no sistema Metrô e trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) é de 750, em geral utilizadas para atividades de lazer, diferentemente da idéia principal do bicicletário, que visa integrar a bicicleta como um meio de transporte.

De acordo com a Pesquisa Origem e Destino realizada em 2007 pelo metrô de São Paulo, as viagens de bicicleta na cidade dobraram nos últimos dez anos, de cerca de 160 mil para aproximadamente 300 mil viagens diárias, correspondendo a 0,78% dos meios de transporte. Essa mesma pesquisa também mostrou que a maior preocupação referida pelos ciclistas não foi a falta de ciclovias, mas sim a de locais para estacionar as bicicletas. Mas será que a falta de ciclovias realmente não deve ser uma preocupação para os ciclistas?

Este ainda é um meio de transporte ignorado pelas autoridades, mesmo com as campanhas do metrô incentivando seu uso. Vale ressaltar que a construção de novas ciclovias é de responsabilidade da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, não da Secretaria de Transportes.

Existem hoje na cidade de São Paulo por volta de 30 km de ciclovias (tabela abaixo), sendo que a maioria encontra-se dentro de parques, voltados especialmente para o lazer. Há ciclovias em construção e em projeto, mas mesmo assim o total desse percurso ainda será insuficiente para tornar mais segura a vida dos ciclistas. Se houvessem ciclovias seguras, mais pessoas se disporiam a utilizar a bicicleta como meio de transporte. Por exemplo, na capital colombiana, Bogotá, há 300 km de cliclofaixas, em Paris há por volta de 370 km de ciclovias, Berlim conta com mais de 600 km, Amsterdã possui 400 km e Copenhague 300 km. No Brasil a cidade que possui mais ciclovias é o Rio de Janeiro (RJ) com 140 km, seguido de Aracajú (SE) com 45 km.

Tabela: Ciclovias na cidade de São Paulo (em km):

Parques

Km

Ruas

Km

Em Obras

Km

Em Projeto

Km

Ibirapuera

5,5

Nova Faria Lima

1,3*

Inajar de Souza

7

Butantã

15

Anhangüera

2,7

Sumaré

1,4**

Radial Leste

6,2

Campo Limpo

2,8

Carmo

8,2

Estrada da Colônia

1,8

Adutora Rio Claro

7

Parelheiros

5,35

Cemucam

2,6

Radial Leste

6

 

 

Ermelino Matarazzo

11,5

 

 

 

 

 

 

Perus

3,3

 

 

 

 

 

 

Marginal Pinheiros

14,5

Total

19

 

10,5

 

20,2

Total

52,45

* Interditada / ** Transformada em pista de Cooper.

A falta de conscientização dos motoristas contribui para número considerável de acidentes de trânsito envolvendo ciclistas. A capital vem mantendo uma média de 60 ciclistas mortos por ano. Se o Código Nacional de Trânsito fosse cumprido, provavelmente esses números seriam outros, uma vez que a circulação de bicicletas deve ter preferência sobre os veículos automotores.

A utilização de bicicletas como meio de transporte pode ser aliada a um estilo de vida saudável desde que seja feita de uma forma segura. Os ciclistas devem fazer sua parte utilizando os equipamentos obrigatórios de segurança, tais como, campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, espelho retrovisor do lado esquerdo, assim como capacete, joelheiras e cotoveleiras. Pelo pouco número de ciclovias, se a opção for usar a bicicleta como meio de transporte, ainda é necessário que o ciclista se arrisque no trânsito.

Veja algumas opções próximas às estações de trem e metrô acessando o link: http://www.metro.sp.gov.br/servicos/bicicletario/pdf/guia.pdf

Para mais informações sobre os bicicletários no metrô:

http://www.metro.sp.gov.br/servicos/bicicletario/bicicletario.asp

Texto elaborado por: Christine Kochi Golin