Crianças são mais vulneráveis à indústria de alimentos e seus açúcares escondidos

   No dia 28 de setembro, a “União dos Cientistas Preocupados” (Union of Concerned Scientists - UCS) lançou um relatório anunciando as más notícias do mundo da indústria de alimentos e o impacto na geração dos que hoje têm menos de cinco anos de idade: “Fisgado para a vida toda: Como políticas fracas relacionadas aos açúcares adicionados estão colocando uma geração inteira de crianças em risco” (Hooked for Life: How weak policies on added sugars are putting a generation of children at risk).

   Crianças estão ingerindo mais açúcar do que o recomendado. De acordo com o estudo Added Sugars and Cardiovascular Disease Risk in Children (veja a matéria sobre este estudo publicada anteriormente no Portal: http://www.saude.br/index.php/articles/111-doencas-cronicas-nao-transmissiveis/409-acucar-de-adicao-e-risco-de-doencas-cardiovasculares-em-criancas-american-heart-association), é recomendada a ingestão máxima de açúcares por crianças entre um e três anos de 25g por dia. No entanto, os pequenos estão excedendo essa quantidade em virtude de uma série de condições: marketing, lobby da indústria de alimentos e falta de força política.

   A indústria alimentícia investe um quarto do seu lucro anual em publicidade. Isso significa que só as indústrias americanas gastam 1,8 bilhão de dólares, além de fazerem lobby no Congresso para influenciar as leis que permeiam o mercado de alimentos. Por sua vez, os políticos, que dependem de dinheiro para suas campanhas, abraçam a causa sem pensar nas consequências para a saúde da população para qual eles governam e para o capital humano que está sendo formado e que regerá o país num futuro não muito distante.

    Apesar de tudo, cientistas brigam para embasar as leis em pesquisas sérias. Um exemplo disso é a modificação nos rótulos dos alimentos. Os rótulos mudaram para melhor. Nos Estados Unidos, agora é necessário especificar as informações de açúcar dissociado de carboidrato. Porém, tudo que é bom tem sempre um senão: nos Estados Unidos, assim como no Brasil, alimentos infantis têm a porcentagem do valor diário recomendado (%VD) referente a de um adulto (2000 calorias). Nosso entendimento é que a recomendação deveria ser diretamente associada com a faixa etária para qual o produto foi desenhado, para não haver interpretações errôneas por parte da população.

 

Industria de alimentos para criancas

 

   Crianças não ingerem 2000 calorias por dia, nem se forem extremamente ativas. A tabela abaixo indica que uma criança muito ativa, de seis anos de idade, do sexo masculino deve ingerir 1800 calorias por dia. Quando digo muito ativa, me refiro ao equivalente a caminhar aproximadamente cinco quilômetros por dia a uma velocidade de seis quilômetros por hora. Seu filho é assim?

 

Grafico_Industria de alimentos para criancas

   O que a indústria quer com esse pequeno detalhe? Que os alimentos que teoricamente excederiam as proporções de maus ingredientes na dieta infantil passem despercebidos entre os leitores mal informados.  

    Não se engane! Leia o rótulo atentamente, leve sua calculadora e faça as contas! O consumidor é quem movimenta o mercado e, se todos tiverem consciência ao comprar um alimento nocivo para a saúde de seu filho, a indústria se verá obrigada a recuar e a produzir alimentos mais saudáveis.

 

Por Ana Poblacion

Fonte: http://www.ucsusa.org/news/press-release/hooked-for-life-children-and-sugar#.V_Jh-_ArI2z

 

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