Rotulagem Nutricional. Quem lê? Quem entende? Para que serve?

Rotulagem de alimentosA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), órgão responsável pela regulação da Rotulagem de Alimentos Industrializados possui diversas portarias que direcionam as indústrias alimentícias em relação às informações que devem ser disponibilizadas ao consumidor nas embalagens. Como via de regra, todos os rótulos devem conter:

  1. Nome do produto;
  2. Lista de ingredientes em ordem decrescente de quantidade, ou seja, o ingrediente presente em maior quantidade deve vir primeiro, e assim por diante;
  3. Conteúdo líquido (quantidade ou volume que o produto apresenta);
  4. Identificação da origem (país ou local de produção daquele produto);
  5. Identificação do lote;
  6. Prazo de validade
    - o DIA e o MÊS para produtos com duração mínima menor de 3 meses e,
    - o MÊS e o ANO para produtos com duração superior a 3 meses,
  7. Instruções para o uso, quando necessário.

Além destas informações citadas, segundo resolução publicada em 21 de março de 2001, os fabricantes de alimentos produzidos, comercializados e embalados na ausência do cliente e prontos para serem oferecidos aos consumidores devem disponibilizar também a Informação Nutricional. Obrigatoriamente os rótulos devem conter: Valor calórico, Carboidratos, Proteínas, Gorduras totais, Gorduras saturadas Colesterol, Fibra alimentar, Cálcio, Ferro e Sódio. Veja o exemplo:

Tabela nutricional

Porção: g ou ml (medida caseira): Quantidade média que deve ser consumida por pessoas sadias cada vez que o alimento é ingerido.

Medida caseira: Indica a medida normalmente utilizada pelo consumidor. Por exemplo: fatia, unidade, pote, xícara, copo, colher de sopa.

%VD: O percentual de Valores Diários (%VD) indica quanto o produto tem de energia e nutrientes em relação a uma dieta de 2000 Kcal.

Cada nutriente apresenta um valor diferente para se calcular o VD.

VALORES DIÁRIOS DE REFERÊNCIA:

- Valor energético: 2000Kcal
- Carboidratos: 300g
- Proteínas: 75g
- Gorduras totais: 55g
- Gorduras saturadas: 22g
- Fibra alimentar: 25g
- Sódio: 2400mg
- Gordura Trans: Não há valor diário de referência para a gordura trans

A %VD visa auxiliar o consumidor na escolha do produto mais saudável. Pois uma grande crítica que se tem em relação à Informação Nutricional, é a ausência de conhecimento e incapacidade do consumidor em julgar a quantidade dos nutrientes presentes como boa ou ruim, já que julgar o teor de gordura de um alimento como excessivo ou baixo requer um conhecimento mínimo sobre nutrição.

Todavia, se o indivíduo possui em suas mãos dois produtos diferentes e visa identificar qual possui o teor de gordura mais elevado, pode observar o quanto uma porção de cada um corresponde da necessidade diária, e aquele cuja % for maior, reflete o com maior teor do nutriente.

Mas é claro que a solução ainda não é esta, pois ainda assim a qualidade da informação dependerá do tamanho da porção considerada por cada fabricante, e se o consumidor realmente ingere a porção refletida no rótulo; além disso sabe-se que a necessidade energética e nutricional difere entre os indivíduos.

Outro grande problema refere-se aos produtos cujo foco principal de consumo engloba o público infantil. Sabe-se que as recomendações nutricionais das crianças difere-se das de um adulto. Por este motivo, após solicitações das próprias empresas, profissionais e instituições, a ANVISA disponibilizou uma tabela de referência para cálculo da %VD destinadas a faixas etárias menores. Segundo a ANVISA, na rotulagem nutricional de alimentos podem ser usadas as seguintes referências por faixa etária:

Energia/Nutrientes

Faixas Etárias

7-11 meses

1-3 anos

4-6 anos

7-10 anos

Energia

750 kcal

1050 kcal

1450 kcal

1750 kcal

Carboidratos

112 g

157 g

217 g

262 g

Proteínas

11 g

13 g

19 g

34 g

Gordura Total

29 g

35 g

48 g

58 g

Gordura Saturada

8 g

11 g

16 g

19 g

Fibra Alimentar

5 g

7 g

10 g

13 g

Sódio

200 mg

225 mg

300 mg

400 mg

A proposta, porém é que a inserção desta classificação se torne obrigatória, pois disponibilizar uma porção e a %VD referente à um adulto no rótulo de um produto destinado à criança pode levar a uma consideração errônea da informação contida e superestimação dos limites de consumo do mesmo.

É claro que não podemos desconsiderar a evolução em haver uma resolução que obrigue a indústria a disponibilizar seus nutrientes no rótulo, porém não podemos também deixar de citar a ausência de uma fiscalização da veracidade da informação contida e a falta de conhecimento e dificuldade de entendimento por parte do consumidor.

Site: www.anvisa.gov.br

Por Giovana Longo Silva