Porções Tamanho Família

hambúrguer tamanho família

Nos últimos tempos, não é preciso passear muito pelas prateleiras do supermercado para notar o quanto as porções dos produtos industrializados aumentaram.

Os tamanhos extragrandes, antes características de países desenvolvidos como Estados Unidos, já podem ser encontrados facilmente no Brasil e expandem-se para os mais variados produtos. 

Será que o consumidor, predominantemente com sobrepeso, com hábitos alimentares inadequados e apreciador de alimentos obesogênicos, estaria indiretamente fazendo uma exigência do mercado para o fornecimento de porções maiores, recrutando quantidade ao invés de qualidade? Ou será que o mercado por si só aumentou as suas porções, piorou a qualidade nutricional de seus produtos e consequentemente o consumidor ficou obeso?

A verdade é que ambas as afirmações são verdadeiras e se inter relacionam e, em decorrência deste quadro, tem-se o aumento simultâneo do tamanho dos alimentos e dos excessos nutricionais.

Podemos citar como exemplo a pipoca do cinema que aumentou sua porção de 5 para 11 xícaras nos últimos 30 anos, o que reflete uma diferença média de 360Kcal, isso sem citar o chamado “ sistema de refil”, adotado por algumas redes de cinema do país, onde o consumidor paga uma quantia e pode repor o seu “baldinho” de pipoca quantas vezes quiser durante a sessão de 2 horas de filme.

O comer mais e pagar menos já virou rotina na escolha do “melhor” restaurante, tornando-se acessível a todas as classes sociais; do mais simples ao mais sofisticado menu, a maioria já oferece a opção de “comer a vontade por um preço único” ou “rodízio”, o que permite e inclusive estimula os comensais a comerem tanto quanto agüentarem, como uma forma de valorizar o que está sendo pago.

Na mesma perspectiva a indústria de refrigerantes Antarctica® lançou este ano os refrigerantes Pepsi e Guaraná em sua versão de 3,3 litros, de forma que em 20 anos o frasco de refrigerante simplesmente triplicou o seu tamanho. E o que mais assusta é que o tamanho das famílias brasileiras diminuiu em decorrência da redução do número de filhos por casal, o que leva ao aumento do consumo per capita de refrigerante. Realidade inclusive constatada na última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada em 2002 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde o consumo de refrigerantes aumentou em 400%.

Com foco no público infantil, um outro exemplo é o Danoninho, da Danone®, muito apreciado entre as crianças, e que recentemente lançou no mercado sua embalagem de 100g, que por anos existiu apenas em 45g.

Para incentivar o consumo desses novos “grandes produtos”, o preço é proporcionalmente menor e atrativo, convencendo o consumidor a comer mais pagando menos, ou seja, vivemos uma epidemia de obesidade, incentivada pela mídia, pelo marketing e pelo lucro das indústrias de alimentos.

Leia abaixo uma interessante reflexão sobre a evolução do refrigerante e sua relação com a família brasileira. 
LINK: cocacolafamilia.pdf  

Por Giovana Longo