“Série Light e Diet: Vale a pena optar por eles” (??) 1ª Edição: Doces e Bolachas

diferença entre diet e light

Nos últimos anos o crescente aumento da obesidade e das Doenças Crônicas não Transmissíveis, em especial o Diabetes Melitus, despertou o interesse nas indústrias em desenvolver alimentos com características nutricionais diferenciadas.

Com o apelo da mídia pela busca do corpo perfeito, associado à percepção de que obesidade leva à doença e morte precoce, esses alimentos cujo acesso restringia-se a aqueles com maior poder aquisitivo, expandiu-se aos estratos menos favorecidos.

Com base no Codex Alimentarius, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), estabelece alguns critérios para a classificação dos alimentos em diet e light, que são:

O termo “diet” é atribuído àqueles alimentos que foram desenvolvidos para indivíduos com necessidades especiais, decorrente de alguma doença e/ou condição metabólica. Esse grupo de alimentos é direcionado para os que necessitam de restrição específica de algum nutriente: açúcares, proteínas (isenção total), gorduras, sódio, etc.

Desta forma o consumidor deve ficar atento quanto a esse grupo de alimentos, pois não necessariamente possuem redução significativa de calorias. Veja o exemplo entre dois tipos de chocolate:

Light e diet

A quantidade de gorduras é maior no chocolate diet e não há redução significativa em seu valor calórico.

A versão diet ainda trás em sua embalagem um selo da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD), mas até que ponto esse produto realmente seria indicado para um diabético, sendo que a redução da quantidade de carboidrato é muito pequena em comparação com o tradicional. Será que ele realmente poderia ser classificado como diet.

O termo “light” é atribuído aos alimentos que tiveram algum dos seus nutrientes e/ou valor calórico total reduzido em, no mínimo, 25%, comparado com o tradicional ou similar de marcas diferentes. Em relação à densidade energética, por exemplo, os alimentos sólidos devem ter até 40 calorias/100g e os líquidos 20 calorias/100 ml. Quando há redução de algum nutriente, sem haver redução de calorias, o fabricante deve especificar com os dizeres: “Este não é um alimento com valor calórico reduzido”.

Confira abaixo a comparação entre alguns produtos denominados light com a sua versão tradicional:

Diferença entre chocolate light e diet

Alimentos light: prestar atenção somente no nome é o suficiente para uma escolha adequada

Em decorrência da desinformação do consumidor quanto às definições dos termos, fica sempre a dúvida no momento da compra: “Vale a pena optar por eles?”

Como reflete a própria definição, o alimento diet destina-se a população com algum distúrbio nutricional específico, que demande a exclusão/ restrição de algum nutriente específico da composição do produto. Já o termo light se refere à retirada parcial de um nutriente.

Porém o marketing industrial tem abusado da expansão e do prestígio dado pelo consumidor à estampa destes termos no rótulo, utilizando-os erroneamente ou da forma que lhe é mais conveniente.

Podemos citar como exemplo o iogurte Corpus, 0% de gordura. Em seu apelo publicitário é levantado como light, porém de acordo com a legislação seria diet pela isenção da gordura. Esta distorção da nomenclatura é em favor da aceitação da população, pois parece mais atrativo ao consumidor que visa emagrecimento, comprar o iogurte light.

O nome diet desperta um preconceito, sendo associado à imagem de um “alimento para doente” e o light o “alimento para quem quer ter saúde”.

A questão da nomenclatura é nítida também na nova tendência dos refrigerantes, cujas principais marcas lançaram recentemente versões chamadas de “Zero”, que possui composição basicamente igual ao antigo diet. Porém pesquisas realizadas pela publicidade refletiram que a população, sobretudo a jovem não compravam esses refrigerantes por associá-lo ao Diabetes.

A busca pelo corpo perfeito e a distorção do estereotipo de beleza, influenciado pela mídia e pela moda, aumentam a procura por alimentos light, que com freqüência são consumidos sem moderação.

Os princípios das indústrias de disponibilizarem no mercado opções com teor de calorias, açúcares e gorduras reduzidos é indiscutivelmente fantástico e pode contribuir para uma alimentação mais saudável, porém o que falta ao consumidor é informação a despeito da composição destes produtos, da necessidade de moderação e, sobretudo, a fiscalização por parte da ANVISA da composição real destes alimentos e da veracidade da denominação diet e light referidas pelas indústrias.

E aí, qual a sua escolha?

Por Jonas A. C. Silveira, Giovana Longo e Maysa Helena Toloni.