Manda quem pode. Obedece quem tem... “juízo”? Parlamento europeu rejeita a implementação do Semáforo Nutricional (SN)

Desta vez, o conceito de juízo ficou um tanto quanto obscuro para a população européia, uma vez que o sistema de classificação nutricional por cores dos alimentos, o SN, foi rejeitado numa votação do parlamento europeu, que aconteceu dia 16 de junho em Strasbourg, França.

semaforo nutricional
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Numa população em que 60% dos eleitores e 25% das crianças estão acima do peso e 25% tem dificuldade para ler, o lobby de empresas como a Nestlé, Danone, Coca-Cola, PepsiCo, Kraft e Kellogg’s sobrepuseram o interesse da saúde da população.

O sentimento de organizações como a British Heart Foundation (BHF), Corporate Europe Observatory (CEO) e Children’s Food Campaign é de oportunidade perdida, pois como diz Carl Schlyter, responsável pelo comitê parlamentar do meio-ambiente, “o parlamento fez um avanço ao que se refere à informação nutricional nos alimentos, porém deixou de pegar um atalho”.

O FoodWatch, grupo alemão de defesa do consumidor, se declarou extremamente decepcionado com esse posicionamento e que não foi uma decisão representativa da população alemã.

Peter Hollins, chefe executivo da BHF, disse que o parlamento europeu deveria se envergonhar em colocar os interesses da indústria na frente da saúde da população. De acordo com o CEO, a indústria alimentícia investiu 1,23 bilhão de euros em campanhas de lobby para barrar a aprovação do SN. “Em Bruxelas, nos últimos anos, não se via tamanha campanha de lobby conduzida pelas empresas, os ministros foram bombardeados por cartas, telefonemas, e-mails, informativos patrocinados, palestras e conferencias” – afirma CEO. A Confederation of the Food and Drink Industries rejeita a acusação dizendo que não há fundamento algum para tal alegação.

No lugar do SN, foi aprovado o uso do Guideline Daily Amounts, que apresenta o conteúdo nutricional do alimento em relação à necessidade diária de ingestão na frente da embalagem.

Foi também rejeitada a obrigatoriedade da notificação do tipo de animal e a sua origem em alimentos processados. Isso conferiria ao consumidor o poder de escolher alimentos de origem em sua região, favorecendo a produção local e evitando comprar alimentos cujos ingredientes tiveram que percorrer longos trajetos, resultando em agressão maior ao meio ambiente.

Jonas Augusto Cardoso da Silveira 

José Augusto de Aguiar Carrazedo Taddei

Links consultados:

http://www.euractiv.com/en/food-industry-wins-battle-traffic-light-labels-news-495324

http://www.dailymail.co.uk/news/article-1286804/Food-firms-spend-millions-push-kill-traffic-light-labelling-identify-unhealthy-products.html

http://www.reuters.com/article/idUSLDE65F2AR20100616

http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/6397187.stm

http://www.just-drinks.com/news/meps-vote-down-traffic-light-labelling_id101036.aspx