Amamentação: uma forma de promover saúde desde cedo

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Aleitamento Materno

A amamentação é um ato natural e constitui a melhor forma de alimentar, proteger e amar o bebê, sendo um processo fisiológico, natural, mas que precisa ser aprendido.

O leite materno é o primeiro componente da alimentação infantil e deve ser o único alimento recebido pela criança até os seis meses de vida.

A nutrição adequada, garantida pela manutenção do aleitamento materno, garantem à criança o seu crescimento satisfatório no primeiro ano de vida, período em que ela triplica o seu peso e aumenta em 50% o seu comprimento.

No âmbito alimentar o primeiro ano de vida pode ser dividido em duas fases: antes dos seis meses e após os seis meses. No primeiro semestre, espera-se que a criança tenha um aleitamento materno exclusivo. A partir do segundo semestre se inicia a introdução da alimentação complementar.

A amamentação deve ser iniciada sobre livre demanda, e o aleitamento materno pode ser classificado segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) em:

  • Aleitamento materno exclusivo: quando a criança recebe somente leite materno e nenhum outro líquido ou sólido, com exceção de gotas de xaropes, vitaminas e outros medicamentos;
  • Aleitamento materno predominante: quando o lactente recebe além do leite materno, água, chá ou suco de fruta, bebidas a base de água.
  • Aleitamento materno: quando a criança recebe leite materno, independentemente de estar recebendo qualquer outro alimento ou líquido, incluindo leite não humano.

Os benefícios e vantagens da amamentação são indiscutíveis, pois além da composição nutricional ideal, ele ainda protege contra morbidades como: diarréias, infecções respiratórias e alergias alimentares, proteção contra a mortalidade infantil, prevenção de doenças crônicas como diabetes, doença celíaca, doença de Chron, promoção de melhor crescimento, melhora o vinculo mãe e filho, biodisponibilidade de nutrientes e digestibilidade, além de ser de baixo custo.

O leite materno pode ser dividido em três diferentes secreções: colostro, leite de transição e leite maduro, que se diferem em volume e composição, sendo todos igualmente essenciais para cada fase do bebê.

O colostro, que é secretado durante os primeiros sete dias de aleitamento, é rico em fatores de proteção, principalmente imunoglobulinas, por isso a importância de amamentar o recém nascido neste período. O leite de transição é caracterizado pela passagem entre o colostro e o leite maduro. Nesta fase, a quantidade de calorias aumenta. O leite considerado maduro é secretado a partir do 14º dia e contém os nutrientes adequados para a alimentação exclusiva do bebê até os seis meses de vida.

A amamentação é cercada de muitos mitos e crendices, tal como achar que o leite é “fraco” para o bebê. Afirmações desta natureza são frequentemente relatadas pelas mães como causa da introdução precoce de alimentos, e muito provavelmente decorre do próprio aspecto do leite, que é aparentemente mais “diluído” quando comparado ao leite de vaca, ou da facilidade de digestão proporcionada pelo mesmo, em decorrência da presença da lípase, enzima que vai favorecer a digestão do conteúdo de gorduras presente no leite.

Outra crendice muito comum é que o bebê precisa receber água ou chá para não passar sede, o que não é verdade, pois a composição do leite materno já possuí a quantidade de água necessária, dispensando complementação inclusive em dias quentes.

Atualmente já é um consenso que o leite materno supre todas as necessidades nutricionais da criança até o 6º mês, período em que se recomenda a introdução de outros alimentos sólidos e líquidos.

Em relação à freqüência da amamentação, deve ser em livre demanda, de forma que pelo menos um peito deve ser esvaziado em cada mamada, como forma de garantir que o bebê receba o leite posterior, que é secretado de um a dois minutos após o início da sucção do mamilo, possuindo uma composição com maior teor de gordura, favorecendo o ganho de peso criança. Após o esvaziamento, a mãe pode oferecer o segundo peito.

Após a mamada deve-se estimular a eructação (arroto) do bebê, colocando-o em pé, apoiado sobre o ombro da mãe ou de outro adulto e dando tapinhas nas costas. Não é necessário que o arroto aconteça em todas as mamadas, porém deve-se ter o cuidado de colocá-lo no berço em decúbito lateral.

Como regra geral, a mulher que está amamentando não deve receber medicamentos sem orientação médica. De qualquer forma, é sempre necessária a orientação do ginecologista ou do pediatra.

Diante de todas as vantagens propiciadas pelo aleitamento materno, cabe aos profissionais de saúde estimular essa prática, orientando as gestantes desde o período pré-natal e esclarecendo e oferecendo apoio à nutriz; de forma que a mãe seja conscientizada de que esta é uma das experiências mais gratificantes para a maioria das mulheres.

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17ª Semana Mundial da Amamentação (SMAM), campanha que este ano de 2008 teve como tema “Amamentação: participe e apóie a mulher.”

Texto elaborado por: Anna Helena Pedreira de Freitas - Nutricionista