Retrocesso em Nova Iorque

Em maio de 2012 o ex-prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg, deu um grande passo em busca da diminuição das taxas de obesidade nos EUA ao anunciar a medida que proibiu a venda de copos individuais de refrigerantes, chás e demais bebidas açucaradas com mais de 470ml em estabelecimentos da cidade.

Este grande marco regulatório vigorou até o dia 26 de junho deste ano, quando o juiz Eugene F. Pigott Jr., da Corte de Apelação do Estado de Nova Iorque, vetou definitivamente tal proibição, marcando um enorme retrocesso no sistema legal da cidade que, a partir de agora, não pode mais recorrer da decisão.

Após enfrentar a resistência de donos de restaurantes, cinemas e, principalmente, dos fabricantes de bebidas, o governo nova iorquino perdeu nesta última instância e está, mais uma vez, a mercê dos interesses econômicos e publicitários das grandes marcas de bebidas açucaradas.

É lamentável, porém não inesperado, que um país de Primeiro Mundo como os EUA, e que tem 1/3 de sua população adulta e 17% de suas crianças maiores que cinco anos de idade com excesso de peso, retroceda desta maneira em um tópico tão determinante na obesidade. É sabido que um ambiente obesogênico, marcado pela grande disponibilidade de alimentos ricos em gorduras e açúcares e baixo valor nutricional, como refrigerantes e sucos industrializados, tem grande influência sobre o comportamento alimentar dos indivíduos. Este fato é agravado pelas estratégias mercadológicas abusivas utilizadas para promover alimentos não saudáveis e causadores de obesidade e doenças associadas.

Desta forma, é de se esperar que, cada vez mais, os governos se conscientizem dos malefícios do consumo deste tipo de alimentos e comprem a briga com seus fabricantes, apesar de todo interesse econômico envolvido, afinal, é da saúde do seu povo que estamos falando!

 Por Laís Amaral Mais

bebidas acucaradas