Mudar hábitos alimentares e de vida de crianças cada vez mais obesas exige esforço de escola, família, governo

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, a cineasta e diretora do documentário ‘Muito Além do Peso’ Estela Renner destaca a realidade da obesidade no Brasil, onde crianças “não sabem diferenciar um pimentão de um rabanete, mal fazem exercícios, e ainda assistem à TV muito mais que todas as crianças do mundo”.

Mudar hábitos alimentares e de vida de crianças cada vez mais obesa

Estela propõe que o tempo de tela seja diminuído, uma vez que a comunicação mercadológica dirigida a crianças estimula as vendas de produtos infantis, como alimentos inadequados à saúde, além de tentar convencer os filhos a pedir aos pais que comprem determinados produtos direcionados a adultos.

A exposição exagerada à tela também propicia o sedentarismo, que é agravado por aulas de educação física teóricas ou inexistentes nos primeiros anos de vida dos alunos. Além do estímulo à atividade física e à brincadeira, a escola também tem o papel de propiciar hábitos alimentares saudáveis, segundo a cineasta. A reorganização das cantinas, visando à venda de alimentos adequados, e a inserção da educação alimentar no currículo são essenciais para o aprendizado das crianças sobre alimentação e nutrição. Assim como as escolas, Estela destaca a importância da existência de políticas públicas eficazes que estimulem a alimentação saudável desde a infância.

Na contramão de todos estes esforços existe a indústria alimentícia, cuja distribuição de produtos alcança qualquer cidade do interior do país. Estela aponta a composição inadequada dos alimentos industrializados, que são muito palatáveis, causando algo que se compara ao vício pelo alimento ultraprocessado.

Além disso, o investimento no marketing deste tipo de produto faz com que haja um estímulo cada vez maior a sua compra, o que acarreta na crescente obesidade infantil. Segundo Estela, “a criança não só está acumulando na sua casa como está acumulando no corpo. São calorias vazias. Ela quer preencher um vácuo que o alimento não vai preencher. Isso só vai acontecer através de um amigo, do afeto, da convivência. Por isso a questão é tão maior. Não é só o sentido do alimento, é o sentido da vida”.

Por Laís Amaral Mais

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