“TEM QUE SER MAGRO!” Será? A ditadura do corpo ideal

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     Ao longo dos últimos cinquenta anos, o padrão estético cultural vem determinando que o corpo magro é o valorizado como referência de beleza, principalmente para as mulheres. Tal padrão determinou mudanças importantes nas áreas sociais, econômicas e de saúde.

     As exigências culturais pela magreza geram um conflito entre a necessidade de alcançar um corpo idealizado e a realidade do próprio corpo que, muitas vezes, por determinações genéticas e ambientais pode se distanciar do almejado. Esta situação mobiliza preocupação com peso, insatisfação corporal, e empurra as pessoas para comportamentos não saudáveis, sobretudo os que se referem ao comportamento alimentar.

    Preocupação com peso, insatisfação corporal e comportamento de dieta restritiva são considerados normas sociais e são fatores de risco para o desencadeamento de transtornos alimentares como anorexia nervosa, bulimia e compulsão alimentar. O comportamento de dieta restritiva também é apontado como fator importante na manutenção e agravamento de quadros de obesidade.

    Segundo a nutricionista Sophie Deram (2014) as dietas restritivas têm efeitos contraproducentes, colaboram para o aumento de peso, uma vez que a perda rápida decorrente dessa privação alimentar provoca alterações corporais importantes, como diminuição do metabolismo e o aumento do apetite, pois o corpo não entende essa mudança nutricional como positiva e tenta recuperar o estado anterior de peso.

    Do ponto de vista emocional, o fato de se ter um corpo magro não garante à pessoa felicidade ou bem-estar, como o que é propagado pelas mais diferentes mídias e difundido socialmente, o que pode provocar além do estresse físico, descontentamento e falta de sentido existencial.  Desta forma, o peso não deve ser indicador de beleza ou saúde, mas sim um reflexo de hábitos saudáveis.

    Considerando a dimensão da influência dos padrões estéticos culturais no comportamento e estilo de vida da população, é importante estimular discussões críticas sobre o que é de fato ser belo e principalmente sobre o preço a se pagar pelas imposições nas tentativas para alcançar esse padrão.

   No contexto atual, há uma expressiva inversão de valores que precisa ser revista. As influências externas/sociais que afetam continuamente cada indivíduo devem ser benéficas para construir e fortalecer a identidade pessoal e a saúde, e,  não como o que acontece, ser fonte de angústia, sofrimento e adoecimento.

    A partir de uma visão crítica, onde seja possível filtrar as inúmeras informações e influências sociais, pode-se descartar o que for inatingível e inadequado para cada um, respeitando cada individuo em sua essência e modo de ser. Este pode ser o primeiro passo para mudanças significativas na qualidade de vida, onde padrões estéticos serão menos importantes que a autoestima e valores existenciais.   

Por Paola de Souza Rezende e Denise Ely Bellotto de Moraes

Referências:

Deram, Sophie. O peso das dietas. Sesus, 2014.