Transtorno do Déficit do Brincar e os prejuízos para nossas crianças

Déficit do brincar

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É importante considerarmos que o brincar livre vem diminuindo de maneira expressiva nas últimas décadas, ao mesmo tempo em que há um aumento importante de casos de transtorno de ansiedade, depressão e suicídio entre crianças e jovens. De acordo com Peter Gray, psicólogo e pesquisador da Boston College, esses dados representam não apenas uma correlação, mas uma relação de causa e efeito.

 As crianças brincam por prazer, para dominar suas ansiedades, controlar ideias ou impulsos que podem conduzir à angústia se não forem expressados. O brincar é uma comunicação. É a maneira mais familiar da criança experimentar o mundo. É desta forma que ela expressa seus sentimentos e pensamentos, aprende sobre si mesma, sobre o mundo e o outro e é estimulada a desenvolver habilidades sociais, motoras e cognitivas. A brincadeira é a prática constante da capacidade criadora, é um momento de assimilação da realidade externa ao mundo interior.

O professor Gray aponta como principais razões para a diminuição do brincar livre das crianças a cultura do medo, o compartilhamento constante de notícias de violência, abusos e perigos da sociedade, a importância exacerbada dada à escolarização, com alto grau de exigências, grandes volumes de atividades e diminuição do tempo livre, e a supervalorização da participação adulta no desenvolvimento das crianças.

“O índice de depressão em crianças é de sete a dez vezes maior do que na década de 1960. Transtornos de ansiedade estão até oito vezes mais presentes e as taxas de suicídio em crianças de até 15 anos são quatro vezes maiores, sendo que na última década este número aumentou exponencialmente”, revela Gray.

De acordo com o pesquisador, não é necessário muito esforço para se fazer correlação do aumento de doenças com a diminuição do brincar. “Ora, sem o brincar, o mundo é muito triste! Mas, para quem não acredita, estudos longitudinais desenvolvidos em vários países estão mostrando essa relação causal”, aponta.

Para ele as escolas precisam se reestruturar urgentemente, tendo como objetivo primordial proporcionar tempo livres às crianças, garantindo espaço e condições para que possam socializar e se expressarem através das brincadeiras.

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Autoria: Fabrícia Ramos de Freitas