AS CONSEQUÊNCIAS DO USO DE AGROTÓXICOS À SAÚDE: CASOS DE CÂNCER E RESÍDUOS NO LEITE MATERNO – Posicionamento do INCA

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agrotóxicos no leite materno
FioCruz - http://www6.ensp.fiocruz.br/visa/?q=node/6647

 

O Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos desde 2009, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a exposição média de 5,2 kg por habitante. Este triste posto no ranking se deve também a liberação de sementes transgênicas no país, pois cultivo dessas sementes geneticamente modificadas exigem o uso de grandes quantidades de agrotóxicos.

Entende-se por agrotóxico o grupo de produtos químicos utilizados para destruir ervas daninhas (herbicidas), insetos (inseticidas) e fungos (fungicidas). Esses produtos são amplamente usados na agricultura, horticultura, reflorestamento e no processamento secundário destes produtos nas indústrias¹ .

No entanto, a exposição a este tipo de produto causa inúmeros malefícios ao ambiente e a saúde. E isto não é ativismo, bandeira, luta sindical ou ambientalismo, mas sim problema de saúde pública, pois contamina desde o solo, os alimentos e a água até o leite materno, causando também câncer.

No dia 06 de abril de 2015, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), órgão do Ministério da Saúde que atua na prevenção e controle do câncer, posicionou-se contra as atuais práticas de uso de agrotóxicos no Brasil e ressaltou seus riscos à saúde, em especial nas causas do câncer. Dessa forma, segundo o INCA, espera-se fortalecer iniciativas de regulação e controle destas substâncias, além de incentivar alternativas agroecológicas aqui apontadas como solução ao modelo agrícola dominante.

Ao longo dos últimos anos, o INCA tem apoiado movimentos e ações de enfrentamento aos agrotóxicos, firmando parcerias com instituições como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco)  e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

No  dia 28 de abril, a Abrasco lançou o livro “Dossiê Abrasco: Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde”, uma publicação editada em conjunto pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, e pela editora Expressão Popular.

Já a Fiocruz em parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso, realizou um estudo no município Lucas do Rio Verde – MT, cidade de importante produção agrícola no estado.

Entre fevereiro a junho de 2010 este estudo coletou leite humano de 62 mães residentes na cidade de Lucas do Rio Verde, entre a terceira e oitava semana pós-parto. Foi observado que 100% do leite materno tinha algum tipo de agrotóxico em sua composição, e que 85%  do leite possuía pelo mais de um tipo de agrotóxico².

Apesar dos possíveis danos que possam vir a ser causados pela exposição dos bebês aos agrotóxicos, o estudo afirma que qualquer atitude em relação ao desaconselhamento à amamentação tem que ser avaliado criteriosamente considerando-se o risco/benefício e os múltiplos fatores envolvidos no processo de aleitamento. Pois, até o sexto mês de vida, o leite materno é único e melhor alimento para a criança.

Diante disso, identifica-se o quanto é preocupante o uso excessivo de agrotóxicos, pois se eles causam câncer e as crianças desde o início do seu hábito alimentar já está em contato com essa substância.. Quer dizer então que esta criança encontra-se mais predisposta a ter câncer futuramente????

Cabe a nós enquanto sociedade refletirmos sobre isso e buscarmos alternativas para nos proteger e proteger nossas crianças, e aos órgãos de regulação do uso e comercialização de agrotóxicos, fiscalização e medidas mais severas e que assegurem a saúde da população. 

Por Ianna Lôbo

LEIA MAIS:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/2015/04/1615841-residuos-de-agrotoxicos-estao-presentes-ate-no-leite-materno.shtml

http://www1.inca.gov.br/inca/Arquivos/comunicacao/posicionamento_do_inca_sobre_os_agrotoxicos_06_abr_15.pdf

http://greco.ppgi.ufrj.br/DossieVirtual/ - Dossiê Abrasco: Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.