Super heróis para atrair crianças

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Criança e consumismoA ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) retirou seu veto ao uso de imagens de super heróis e distribuição de brindes em propagandas destinadas ao público infantil, como forma de atrair a atenção da criança. Segundo a Pesquisa da Datafolha, 43% dos pais disseram que seus filhos pedem com maior frequencia os doces, caso apareça algum desenho animado ou super heróis na propaganda. A distribuição de brindes, como carrinhos e bolas ficaram para traz, com 26 e 21% respectivamente.

Onze importantes empresas do ramo alimentício assinaram, em 2007, o Termo de Compromisso EU-Pledge e se comprometeram a mudar sua forma de fazer propaganda para crianças. As regras foram: não fazer propagandas (TV, internet ou impressos) para o público menor de 12 anos, exceto para produtos com benefícios comprovados cientificamente e não fazer propagandas em escolas, exceto em casos de pedido pela diretoria com o propósito de educação.

A partir dos cinco e seis anos a criança começa a comparar os produtos, por atributos abstratos ou funcionais, pelo uso, pela logomarca e pelos elementos figurados. Nessa idade as crianças são capazes de citar um nome de marca por cada categoria de produto. Mas, para a criança dessa idade, a marca serve somente para nomear o produto. Na questão de escolha, afirma-se que a criança é mais sensível ao tato, visão e paladar, valorizando o produto por sua cor, forma (onde se encaixaria perfeitamente um personagem de desenho animado). A partir dos seis anos ela começa a entender outras dimensões. Por volta de sete a oito anos nasce o conceito da marca.

marketing infantil
As crianças vão se identificar com personagens heróicos ou carismáticos. O personagem cria vida própria aos olhos da criança, e este desenho poderá então se dirigir à criança com todos os suportes de comunicação da marca. O personagem se torna um amigo da criança.O autor do livro “Público alvo: crianças, a força dos personagens e do marketing para falar com o consumidor infantil” explica que “o personagem é a tradução da marca (realidade física, conteúdo, valores...) em um registro imaginário que torna possível uma cumplicidade e uma verdadeira conivência com a criança” e “o personagem enquanto imagem contém emoções que não estão mais ligadas à representação física da marca, mas que estão ligadas às dimensões psíquicas da criança”, podendo portanto influenciar muito a escolha de compra da criança apenas pelo fato de um produto ter um personagem que a aprecia.

Leia mais em: 

http://www.eu-pledge.eu 
http://www.mediasmart.org.uk

MONTIGNEAUX, N. Público alvo: crianças, a força dos personagens e do marketing para falar com o consumidor infantil. São Paulo: Negócio, 2003.

http://www.revistas.univerciencia.org/index.php/comunicacaomidiaeconsumo/article/viewFile/5301/4855

Por Sarah Warkentin