Parceiros da Copa do Mundo: McDonald’s®

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O mercado de redes de fastfood cresce a cada ano, e no Brasil não é diferente. Segundo estimativas da Mintel para o país, em 2018 existirão 480 mil estabelecimentos com um faturamento de R$75 milhões.

Esse número elevado se deve à preferência dos brasileiros por este tipo de restaurante. A pesquisa “Fastfood no Brasil”, realizada em 2011 pela Shopper Experience, mostrou que 74% da população escolhem fazer suas refeições em restaurantes do tipo fastfood pela conveniência, rapidez e agilidade. Dentre as opções, 44% dos brasileiros apontam o McDonald’s® como o seu preferido.

A rede McDonald’s® não vende apenas o produto, mas também induz o consumo exagerado de seus alimentos por meio de apelos emocionais referentes ao estilo de vida saudável e a falsa ideia de alimentação adequada.

O marketing investe em mensagens e imagens impactantes que distorcem a realidade a fim de alcançar os objetivos da empresa. O Big Mac®, sanduíche mais conhecido da rede, foi criado em 1968, e seu jingle em 1974, nos Estados Unidos da América (EUA). A música teve grande repercussão sobre os consumidores e atualmente, só no Brasil são vendidos cerca de 5 milhões de Big Macs® por mês, 180 mil por dia e 6,6 mil por hora.

Nota-se que o investimento da marca desde os anos 70 produz efeitos no consumo de seus produtos, mas seria isso o suficiente para uma parceria com a Copa do Mundo? A história do McDonald’s® com eventos esportivos é antiga: a marca começou a patrocinar as Olimpíadas em 1968, enviando hambúrgueres por avião para os atletas. Ainda não satisfeitos com seu impacto na população, em 1975 a rede criou o serviço drive-thru, a fim de servir militares que não tinham autorização para sair de seus carros vestindo roupas do exército.

Em 2011, a marca reformulou o tamanho e a composição das porções vendidas em nosso país, em consequência das constantes críticas sobre as quantidades excessivas de gorduras e sódio de seus produtos. Seria essa uma mudança suficiente?

 

Informações Nutricionais – Porção de 204g (1 unidade)

Quantidade por porção

%VD (*)

Valor Energético

494Kcal – 2075kJ

25%

Carboidratos

40g

14%

Proteínas

25g

34%

Gorduras Totais

26g

47%

Gordura Saturada

9,7g

44%

Gordura Trans

0,5g

-

Colesterol

60mg

20%

Fibras

2,7g

11%

Sódio

817mg

34%

 (*) Valores diários com base em uma dieta de 2.000Kcal ou 8.400kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas.

            A tabela acima corresponde a uma unidade de Big Mac®. Apenas o valor energético de um lanche equivale às calorias de uma refeição principal, sem incluir os acompanhamentos e a bebida. Quase 50% das necessidades diárias de gorduras totais e saturadas são consumidas na mesma unidade. A quantidade de sódio é de aproximadamente 1g, o que corresponde a quase a metade da ingestão diária recomendada deste nutriente. E ISSO SÃO CÁLCULOS NUTRICIONAIS REFERENTES ÀS NECESSIDADES DE ADULTOS QUANDO O BIG Mac DESTINA-SE EM GRANDES PROPORÇÕES AO CONSUMO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES!

Ao analisar as quantidades de gordura e sódio, nota-se que a mudança não foi suficiente para agregar valor nutricional aos produtos. Porém, a estratégia de marketing da marca é enfatizar os nutrientes benéficos presentes no lanche. A imagem abaixo foi retirada da seção “Nutrição” do site do McDonald’s®, com destaque para a porcentagem de proteínas e fibras oferecidas por seus lanches, induzindo o consumidor a acreditar que estes produtos seriam boas fontes de nutrientes e bons substitutos de uma refeição tradicional brasileira.

 

McDonald's - publicidade de alimentos

 

 

Com a associação de jingles, propagandas, brindes infantis e personagens à nutrição e saúde, a empresa consegue atingir a população adulta, adolescente e infantil em todas as épocas do ano. Com a parceria oficial com a Copa do Mundo 2014 a marca conseguirá ter recordes de venda e fortalecerá ainda mais a inadmissível ideia de que seus produtos estão diretamente ligados à alimentação saudável.

Esta promoção e exposição exagerada dos alimentos oferecidos pelas redes de fastfood por meio da mídia contribuem para o surgimento doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), com consequente impacto na saúde de toda a população. Este consumo indiscriminado contribui para a diminuição da qualidade e expectativa de vida das crianças quando comparadas aos seus pais.

Ao fazer parte da preferência de consumo da população brasileira, a ingestão excessiva dos produtos da marca promove o aumento do risco de hipertensão, doenças cardiovasculares e obesidade. Sendo assim, apoiar um evento esportivo como a Copa do Mundo é apenas mais um dos meios que a marca encontrou para expandir a comercialização de seus produtos e acarretar na diminuição da expectativa de vida de seus consumidores.

Por: Bruna Diniz, Juliana Saracho, Laís Amaral e Sarah Warkentin