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Atualidades

Crianças e Consumo
02 Out 2008

 

Atualmente, a publicidade e o marketing estão entre os principais fatores que levam a distúrbios alimentares e distúrbios comportamentais, sobretudo na infância.

A professora da Universidade de Harvard Medical School (Boston, EUA) Susan Linn, esteve no Brasil na semana passada para o 2° Fórum Internacional Criança e Consumo e destacou que a propaganda não é a única causa de problemas, que incluem distúrbios comportamentais e alimentares nas crianças.

Susan Linn é professora da psiquiatria e diretora associada da Media Center do Judge Baker Children´s Center, fundadora da campanha para uma infância livre de comércio e autora de diversos estudos sobre os efeitos da mídia e do marketing comercial em crianças alia à sua habilidade como escritora o seu talento com o ventriloquismo, sendo conhecida internacionalmente por seu trabalho inovador com o uso de fantoches na psicoterapia infantil.

A televisão representa a maior fonte de informações sobre o mundo, sendo capaz de transmitir aos mais diversos lugares, culturas e dados sobre como as pessoas se comportam, o que vestem, o que pensam, como aparentam ser e o que comem. Em função de seu grande impacto e credibilidade, passa a ser um meio de comunicação utilizado para o entretenimento e educação e através das propagandas, possibilita a entrada de marcas e produtos nos lares.

A maioria do dinheiro gasto com anúncios de comida vem das marcas alimentícias e das cadeias de fast-food, sendo o primeiro veículo de divulgação usado por elas. De acordo com Susan Linn, em 1983, o gasto com publicidade voltada para crianças nos Estados Unidos era de U$$ 100 milhões por ano e atualmente chega a U$$ 17 bilhões por ano.

Já se sabe que apenas 30 segundos de exposição a um comercial de alimentos é capaz de influenciar a escolha da criança por um determinado produto, desta forma torna-se primordial o aconselhamento dos pais a respeito da influência da televisão nas escolhas alimentares de seus filhos, além de auxiliá-los em intervenções contra sua disseminação.

Além do sedentarismo notado atual nas crianças e influenciado por práticas habituais de atividades de lazer passivas, suas preferências alimentares na idade pré-escolar estão relacionadas ao consumo elevado de carboidratos, gordura e sal, e baixo consumo de verduras, frutas e legumes quando comparadas às quantidades recomendadas.

Um estudo feito nos Estados Unidos entre 1993 e 1995, demonstrou que as famílias que têm o hábito de assistir televisão durante as refeições consomem 6% mais de carnes, 5% mais de pizza, sal, salgadinhos e refrigerantes e 5% menos de frutas, verduras e sucos, e 2 vezes mais cafeína do que as famílias que não têm esse hábito. Por outro lado, o fato de reduzir o hábito de assistir televisão enquanto come, diminui significativamente o índice de massa corporal tanto em meninas quanto em meninos.

A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda que as crianças menores de dois anos de idade não assistam televisão e aquelas acima de dois anos assistam duas horas por dia. Porém, atualmente os estudos mostram que as crianças menores de dois anos assistem televisão muito além do que é recomendado e esse hábito aumenta com a idade.

Através das propagandas a mídia influencia a compra de seus produtos enfatizando aparência, praticidade e funcionalidade e não abordando o valor nutricional, havendo exploração na divulgação dos alimentos considerados obesogênicos pela mídia. A mídia explora os pontos positivos dos alimentos e evita os pontos negativos e através das propagandas ilude os consumidores pelo colorido utilizando as cores vermelho e o amarelo principalmente.

O público infantil prefere propagandas com imagens rápidas e agitadas e quanto mais repetitivo for o anúncio, mais atenção ele chamará. Logo no começo dos comercias para o público infantil é passada a informação do produto, com artifícios que atraiam a atenção da criança, uma vez que, ao final da propaganda, a criança já está perdendo o interesse, a mensagem anunciada já foi transmitida.

O marketing, cuja função é entender e identificar como os indivíduos pensam, agem e selecionam, compram e usam os produtos, utiliza elementos conhecidos como os “4 P´s”, que significam: Produto, Preço, Praça e Promoção, ou seja, trata-se de um produto adequado às necessidades do cliente, com um preço acessível, disponível e bem divulgado para que o cliente conheça e possa adquirir o produto ou serviço.

Sugestão de leitura: Criança e Consumo- A Infância Roubada
Título Original: Consuming Kids: The Hostile Takeover of Childhood
Autora: Susan Linn

Para saber mais sobre esse assunto acesse: http://www.criancaeconsumo.org.br/

Texto elaborado por: Anna Helena Pedreira de Freitas

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